"Escrever é procurar entender, é procurar reproduzir o irreproduzível, é sentir até o último fim o sentimento que permaneceria apenas vago e sufocador."
"Agora um pedido: não me corrija. A pontuação é a respiração da frase, e minha frase respira assim. E se você me achar esquisita, respeite também. Até eu fui obrigada a me respeitar. Escrever é uma maldição." Clarice Lispector
You and I must make a pact We must bring salvation back Where there is love I'll be there
I'll reach out my hand to you I'll have faith in all you do Just call my name And I'll be there
I'll be there to comfort you Build my world of dreams around you I'm so glad that I found you I'll be there with a love that's strong I'll be your strength; I'll keep holdin' on
Let me fill your heart with joy and laughter Togetherness, girl it's all I'm after Whenever you need me I'll be there
I'll be there to protect you Jermaine: Yeah baby With a non-selfish love that respects you Just call my name And I'll be there, I'll be there
This is the first day of my life I swear I was born right in the doorway I went out in the rain suddenly everything changed They're spreading blankets on the beach
Yours is the first face that I saw I think I was blind before I met you Now I don’t know where I am I don’t know where I’ve been But I know where I want to go
And so I thought I’d let you know That these things take forever I especially am slow But I realize that I need you And I wondered if I could come home
Remember the time you drove all night Just to meet me in the morning And I thought it was strange you said everything changed You felt as if you'd just woke up And you said “this is the first day of my life I’m glad I didn’t die before I met you But now I don’t care I could go anywhere with you And I’d probably be happy”
So if you want to be with me With these things there’s no telling We just have to wait and see But I’d rather be working for a paycheck Than waiting to win the lottery Besides maybe this time is different I mean I really think you like me
do I really really feel it? Oh, come on, come on, come on, come on! Didn’t I make you feel (oh, honey) like you were the only man (I ever wanted and I ever needed)? Didn’t I give you nearly everything that a woman possibly can? Honey, you know I did! And each time I tell myself that I, well I think I’ve had enough, But I’m gonna show you, baby, that a woman can be tough.
I want you to come on, come on, come on, come on and take it! Take another little piece of my heart now, baby! Oh, oh, break it! Break another little bit of my heart now, darling, yeah. Oh, oh, have a! Have another little piece of my heart now, baby. You know you got it if it makes you feel good, Oh, yes indeed.
You’re out on the streets looking good, And baby deep down in your heart I guess you know that it ain’t right, Never, never, never, never, never, never hear me when I cry at night, Babe, I cry all the time! And each time I tell myself that I, well I can’t stand the pain, But when you hold me in your arms, I’ll sing it once again.
I’ll say come on, come on, come on, come on and take it! Take another little piece of my heart now, baby. Oh, oh, break it! Break another little bit of my heart now, darling, yeah, Oh, oh, have a! Have another little piece of my heart now, baby, You know you got it, child, if it makes you feel good.
I need you to come on, come on, come on, come on and take it, Take another little piece of my heart now, baby! oh, oh, break it! Break another little bit of my heart, now darling, yeah, c’mon now. oh, oh, have a... Have another little piece of my heart now, baby.
You know you got it, child, if it makes you feel good.
quando você diz sim que me lê e adora aflora em mim um sorriso que demora
quando você entra assim em mim sem hora eu digo sim não sim não vou embora
quando você enfim se ajeita e me namora a gente chora de felicidade
e quando você de chinfrim chama minhas rimas de amor(a) eu te amo porque é verdade a Menina escreveu em
17.10.09
segunda-feira, 12 de outubro de 2009
criança feliz #twittesuainfancia
eu imitava o sidney magal cantando sandra rosa madalena. minha babá-segunda-mãe foi a Betinha que mora comigo até hoje. eu passava as férias de verão com meus pais e irmãos em recife. e as de inverno com meus pais, irmãos, tios, primos, agregados e afins em campos do jordão, a gente lotava um hotel. viajei de navio para o caribe no eugenio c. meu pai organizou um grupo de 40 e fomos para a africa do sul. eu aprendi o que era aparthaid. e vi de perto pela primeira vez como o ser humano pode ser cruel. fui também para o tahiti e dei comida para os tubarões. aos 4 anos fui uma árvore no teatro. aos 13 tive meu primeiro papel de verdade, um duende. na quinta-série eu escrevi minha primeira peça, Feliz Natal, e encenamos no pátio da escola. só lembro de duas personagens: Refrozéia e Jodrézia. quem fazia era o sansone e o lelê. uma vez um menino idiota da minha classe me encheu tanto que eu bati nele. ficaram cantando pra mim a música da paraíba. meus primeiros namoradinhos se chamavam diogo, santiago, ricardo, gustavo, renato e zé eduardo. adorava receber cartinhas onde os meninos escreviam "quer namorar comigo?" e embaixo desenhavam um quadradinho SIM e um quadradinho NÃO pra você fazer um X na sua resposta. fui da 1aD, da 2aC, da 3aC e da 4aD. minha melhor amiga no primário era a lotito. no recreio a gente fazia dupla de snooker e pebolim. e ganhava de todo mundo. eu batia figurinha bem paca. meu álbum favorito foi o stamp color. detestava usar saia até começar a ter festas de 15 anos. então passei a adorar dançar valsa. sempre amei aniversário. mas só lembro do bolo da branca de neve. a amiga da minha irmã me telefonava e dizia que era a branca de neve. eu acreditava. descobri que papai-noel não existia quando vi meu presente embaixo da cama dos meus pais. detestei descobrir. imitava o jô soares fazendo o "soninho" e o "waldir, a gente temos aí...?". passava todos os finais de semana no clube. assistia a todos os ensaios de teatro do meu pai. decorava os textos de todos os personagens. andava muito de bicicleta. e colocava um copo de plástico raspando no pneu pra fazer baruhinho de motor. andava de CB400 com meu pai. dei dez pontos na cabeça quando bateram na traseira da caravan e eu meto cocoruto numa parte dura que tinha em cima do banco. e por isso perdi o pique-nique no sítio da cacau. chorei muito. assistia a sítio do pica-pau amarelo, armação ilimitada, zybembom, fofão, toppo giggio, super vicky, caras e caretas, jambo e ruivão, brasinhas do espaço e caverna do dragão. chorava com o programa de natal da xuxa. tive genios, merlim, donkey-kong de duas telas, intelevision e tv de controle remoto com fio. usei roupa de papel krepon. cortei o cabelo igual ao da paula toller. estudei inglês no pink and blue. fui federada no volley mas meu time era péssimo. tive os patins de botinhas brancas com rodinhas vermelhas, andei muito e joguei hókei sobre rodas :). usei relógio champignon que trocava a pulseira. fui na tamatete uma vez na vida e achei um horror. usei polaina no frio. fiz primeira comunhão. assisti a cristiane f na casa da isabela porque a mãe dela era liberal. minha mãe nem sonha que fiz isso. entrei na boite do clube de dia, pela janela com o zé eduardo, e ficamos lá dando beijo na boca. ele usava aparelho e me cortou todo o lábio. brincava de panteras e mosqueteiros com a tati e a raquel. meu professor de órgão era albino e eu tinha medo dele. fiz xixi na calça durante uma aula enquanto ele me deixou sozinha treinando minha pequena eva. saí correndo e nunca mais voltei. fiz xixi na calça mais um milhão de vezes. na cama outro milhão. cocô, nunca. tirei palito de picolé premiado da kibon no guarujá. pegava jacaré com prancha de isopor. e sem prancha. tomei muita água salgada. fazia castelo de areia com masmorra, ponte, laguinho e cercava com muro de forte. minha mãe passava hipoglós no meu nariz quando ficava vermelho de sol. sempre descascava. sempre tirei casquinha de ferida. pegava tatuzinho de praia, fritava e comia. fazia pirâmide na piscina com meus primos. esquiava na água em americana. assistir ao miss brasil com a minha família era um evento. quando fui pra disney, epcot era só uma bola vazia. não me conformo que não fui pra orlando com a tia ginha, como todos os meus irmãos e primos. assistia ao domingo no parque. torcia pro cavalinho malhado no bozo. adorava ver a batalha naval. liguei mil vezes 236-0873 mas nunca consegui falar. tentei distribuir água, luz e gás para três casinhas sem cruzar as linhas durante semanas seguidas. adorava a salomé e o bozó do chico anisio. tinha vergonha quando o motorista da loja da minha irmã ia me buscar na escola de passat amarelo mostarda. passat do antigo. detestava ter que usar uniforme no colegial. não passei de química na escola. amava profundamente acampamentos, caças ao tesouro e gincanas de todo tipo. escrevi poemas desde que aprendi a escrever. usei óculos fundo de garrafa e tampão no olho esquerdo pra forçar o direito é péssimo. não adiantou nada. dividiao quarto com o meu irmão e apanhei muito dele. a mão ficava marcada na minha perna. meu pai me deixou na sala de jantar até de madrugada sentada na frente de um prato de sopa de beterraba porque eu não quis experimentar. eu ligava o chuveiro e ficava lendo gibi. adorava balanço e enjoava no gira-gira. desenhava no guardanapo com catchup e mostarda. nunca fui noiva na quadrilha da festa junina. mas também nunca quis. em compensação sempre fui capitã do time. adorava cabo de guerra, taco, queimada e tomada a bandeira, principalmente noturna. brincava de chips e mês no recreio da escola. sempre odiei sagú, arroz doce e abacate. minha mãe trabalhava nas barraquinhas da festa junina do colégio e eu morria de felicidade. tinha uma amiga chamada ana regina. brincava com ela de nave espacial no canteiro de árvore ao redor do campo de futebol da escola. os filhos do sócio do meu pai me faziam acreditar que eu ficava invisível. ficava invisível sempre na fazenda de campos. tirava leite da vaca e abraçava os bezerrinhos. eu tinha uma cachorra vira-latas chamada Jeanne. adorava Jeanne é um gênio e A Feiticeira. contava pra todo mundo que meu tio fazia Roque Santeiro e pedia pra ele dar um monte de autógrafos para os meus amigos. roía as unhas e não escovava muito bem os dentes. uma vez amarrei o pé da minha irmã no pé da cama pra ela não levantar sonâmbula. ela se estabacou no chão. tomei a maior bronca. nos dias de calor íamos todos dormir no quarto dos meus pais, que tinha ar condicionado. eu ficava no pé da cama deles. e caía no meio da noite. assisti ao Festival dos Festivais e torci pros Abelhudos. ganhei do meu pai uma máquina de escrever olivetti em forma de maletinha. e uma vitrola-maleta também. ganhei também o disco de vinil da Blitz com duas faixas riscadas. fazia pulseirinhas de linha e alça de sacola e vendia na porta de casa. tive um carrinho de rolimã maravilhoso! andei de skate. tive a locomotiva de disquinho que tocava meu limão, meu limoeiro e cai-cai balão. meu jogo favorito era candie land. montei uma amarelinha de sapatos com minha prima Grá. fiz uma domadora de pulgas no teatro infantil do clube. era campeã de xadrez todo ano no intercolegial. a mãe da cássia levava a gente de metrô. eu achava uma aventura. fiquei muito ansiosa quando o gibi da turma da mônica ia mudar da abril para a editora globo. comprava chiclete ping pong na padaria. pirulito era dip link do pozinho, anelina pra deixar a língua azul e sanduíche eu ia buscar de bici pra todo mundo em casa no Stop Dog da Afonso Brás, onde morei minha infância inteira. e onde fui tão tão feliz.
criança feliz II #twitteseuferiadododia12
amor, amizade, azeite, cunhado, rodízio, video-game, fondue, cantoria, kung-fu, família, estrada, churrascaria, peixe cru, advil, cloreto de magnésio, pizza, fantástico, sono, cobertor, travesseiro, abraço, trimilique, latinha velha, passeios matinais, blusa nova, mangas brancas, braços fortes, america, salada, salmão, texto coletivo, if this classroom pegar fogo is good pra saber emergecy exit, sobremesa, paulista, belas artes, café, xixi, bastardos, sangue, olhos fechados, beijos, mãos, incêndio, felicidade. aqui é assim!
Acordo fora de mim Como há tempos não fazia. Acordo claro, de todo, acordo com toda a vida, com todos os cinco sentidos e sobretudo com a vista que dentro dessa prisão para mim não existia. Acordo fora de mim: como fora nada eu via, ficava dentro de mim como vida apodrecida. Acordar não é dentro, acordar é ter saída. Acordar é reacordar-se ao que em nosso redor gira.
O auto do frade, Joao cabral de Melo Neto
ACORDAR NÃO É DENTRO. ACORDAR É TER SAÍDA. a Menina escreveu em
30.9.09
esta carta é para você. sim, você. em memória dos mortos nas torres "gêmeas"
confesso que eu não tenho certeza se devia escrever isto. primeiro porque eu não tenho que te dar satisfações da minha vida, como nunca fiz. segundo porque você, enquanto grita, não merece nem um minuto do meu tempo. terceiro, e principalmente, porque talvez você não entenda nada do que eu vou dizer. mas vamos lá. sou uma boa alma e prefiro acreditar que o bem ainda pode te conquistar salvar vocês.
(embora eu saiba que virá sobre mim uma tormenta de bobagens infantis - em atos e omissões, em pensamentos e palavras, por minha culpa, minha tão grande culpa. Senhor, eu não sou digna de que entreis em minha morada, mas dizei uma palavra e serei salva. Por Cristo. Com Cristo. Em Cristo.)
veja, a diferença entre nós é que eu sou uma mulher e você é uma menina imatura. eu já vivi muito, já trabalhei muito em muitos lugares, já estudei um monte de coisas. já viajei bastante, já conheci muita gente, já li umas centenas de livros e já escrevi tanto. eu já tive muitos, muitos amores. alguns gigantescos e transformadores. outros também. todos importantes. todos felizes enquanto existiram. e existiram por muito tempo. eu já amei muito, já fui muito amada, já partilhei minha vida por inteiro, já senti tudo. eu já enfrentei tudo pelas pessoas que amei, eu tive coragem, eu tive fé, eu tive tudo. mesmo assim estou sempre nova e aberta pra ter tudo de novo porque eu amo amar. eu sou honesta. eu sou fiel. eu sou sincera. eu sei a hora de chegar e sei a hora de partir. eu acumulo amigos queridos a vida inteira porque faço questão deles e os respeito. eu dou valor a cada pessoa, a cada segundo, a cada telefonema, a cada abraço, a cada gesto. eu não sou a melhor pessoa do mundo e sei muito bem disso, mas eu sou boa. tenho um milhão de defeitos, mas não sou egoísta, nem perversa, nem cruel. e sei que todo dia, toda hora, atrás de cada cortina que se abra, eu tento ser melhor. já subi em muitos palcos, já vivi papéis que você nem imagina, e nem saberia. sei de coisas que você nem sonha, menina. e sabe pra que serve tudo isso? pra quase nada, além de me dar, genuinamente, a simples e pura capacidade de amar. coisa que, pelo jeito, você não tem. e não tem a menor idéia do que seja.
a diferença entre nós é um abismo e foi por isso que até agora tentei evitar a sua imaturidade. porque sempre achei que essa brincadeira não seria justa com você. preferi a paz. mas você... assim que entendi o seu jogo de azar, preferi ter paz. porque eu sou feliz e não preciso disso. tentei evitar a sua crença no seu pseudo-romance com o seu pseudo-amor e a sua indelicadeza. sua crueldade e suas atitudes horríveis com quem tentava te amar em carne viva. por isso, eu que tenho coração e olhos sensíveis, fui pra bem longe, para não ver o absurdo. e confesso que essa pseudo-vida, nitidamente tão triste, virou página arrancada pra mim.
mas aí, veja só a ironia, na minha ausência, veja que coisa, você do seu pedestal, você do alto da sua arrogância, você, intocável, afastou-se enfim do que (não) te servia. não antes de ferir até o osso, não antes de vomitar as piores palavras, cuspir, enxotar, matar. afastou-se daquilo que, hoje, você manda me dizer que EU tiro de você. eu TIRO de você? veja que insanidade: eu nem estava lá, eu nem existia, e a pseudo-história deixou de existir. redundante e óbvio - ululante: eu nem mais existia e a pseudo-história suicidou-se. sem mim. sem sombra de mim. sem futuro de mim. sem idéia de mim. vê? era só você. você que de amar não sabe nada. e acha mesmo que alguém é seu para lhe ser tirado.
a diferença entre nós é que eu amo e você possui - por isso voltou. a diferença é que eu compartilho e contribuo, você usa e gasta. a diferença é que você quer ganhar e eu nem na disputa entrei. a diferença é que você joga tênis com fúria e eu jogo frescobol feliz e contente. a diferença é que você só fala das coisas que você perde e eu falo do que alguém pode ganhar. a diferença é que você é cocaína e eu sou vida. a diferença é que eu fui pra terapia há muitos anos e você não sai do lugar.
não se preocupe em tentar me agredir com informações que eu possa não ter. saiba que eu já tenho todas. eu sei de tudo. de todos os detalhes. até os mais sórdidos. mas a diferença é que você quer prender e eu quero libertar. você provoca as mentiras e eu sei de todas para provocar a luz.
não, eu não sou tudo isso. estou exagerando um pouco só pra ver se você enxerga o tamanho do abismo.
e então, depois de toda verdade, nós finalmente te convidamos para uma conversa. era uma conversa de gente grande, mas você não quis. preferiu gritar sua estupidez. por isso mesmo você não quis. porque você não é gente grande. você é pequena, sabe. desculpe dizer isso, não me é confortável. mas depois de tudo que vi, eu posso dizer: você é pequena. e não quer crescer. o que aumenta o abismo.
que se ninguém te alimentasse você não sobreviveria, eu sei. é verdade. com muitas e muitas mentiras. é preciso um devoto compulsivo para uma egoísta perversa. freud talvez não dissesse exatamente isso, mas o texto é meu e eu escrevo como quero. sim, eu sei. nunca fui enganada de verdade, sabe. mas isso não lhe diz respeito. a diferença entre vocês é que você quer continuar doente e ela, parece que não. a diferença é que ela consegue ver, ela enxerga, ela pede ajuda, você não. a diferença é que ela está procurando um caminho, embora seja tão difícil, a morte. a diferença entre vocês é que ela já morreu. mas você, você nem reparou. foi você que matou, com requintes de crueldade, e nem notou o cadáver! diz que se preocupa tanto, precisa tanto e largou o corpo lá. é o ego, viu, que mata. você tá brincando com seus defuntos e nem percebe. não vê nada. é o ego, viu, que cega.
e, sabe, eu não precisava te dizer isto também, mas vou. devo estar falando sozinha mesmo. quanto vai durar a minha brincadeira, com gente viva, com gente que renasce, que tenta... quanto vai durar a minha brincadeira da verdade, com luz, com regras divertidas e felizes... mais um dia, mais uma semana, mais um mês, um ano, dez ou quarenta... não sei quanto. mas o melhor sabe o que é? o melhor é que não importa. não se trata mais disso. é maior. não importa nem um pouco quanto e SE vai durar do jeito que você pensa. é muito maior. não importa nem se a gente ainda quer, se a gente ainda consegue, se a gente ainda vai. porque é a vida que importa. é as pessoas se tornarem melhores e mais felizes que importa. é a história. é o que se construiu que importa, e não o que se devastou. e esta, sim, é a maior, a maior das diferenças entre nós: a história que eu vivi existiu. a sua, não.
acordacordacord'accord (ah, porque citar chico é sempre tão bonito e trágico)
mas não, não ligue pra nada disso: esta é só uma pseudo-carta para uma pseudo-pessoa. de uma pseudo-qualquercoisapravocê.
(já a felicidade... existe, juro. amor e amizade saudáveis também. juro. existe, embora vocês não conheçam. mas nunca é tarde demais. acho. )
PS: se um dia quiser crescer com a gente, venha. mas venha sorrindo, senão não dá. a Menina escreveu em
11.9.09
a tempestade vem sem dó. os trovões rugem. os raios estrilam. o dia vira noite. o rio transborda. a cidade geme. a gente se assusta. sonhos se afogam. pessoas se inundam. fiéis temem. mães choram. casas desabam. crianças morrem.
e será que alguém decide se transformar de verdade? a Menina escreveu em
8.9.09
segunda-feira, 7 de setembro de 2009
o fogo
"Eu sabia que algo estava acabando com a minha vida, mas não sabia o que era. Descobrir a minha co-dependência e a forma de me curar dela foi como descobrir o fogo."
A co-dependência tem a ver com formas ostensivas ou sutis de permitirmos que a relação com outra pessoa — por interesse egoísta dela ou por preocupação obsessiva nossa — nos conduza à loucura, à autodestruição, à insatisfação constante e à incapacidade de amar de verdade e ser feliz com alguém saudável, que nos ame de verdade também. E em paz.
Boa Sorte, Good Luck, Ben Harper / Vanessa da Mata a Menina escreveu em
4.9.09
domingo, 30 de agosto de 2009
quando o mal vence o bem
quando o mal vence o bem muitas vezes seguidas, e você já está bem bem destruída, afaste-se: não há mais nada que você possa fazer. (e o mal se consumirá a si mesmo)
...
Me responda, mestre Egeu, o senhor alguma vez já sentiu a clara impressão de que alguém lhe abriu a carne e puxou os nervos pra fora de uma tal maneira que, muito embora a cabeça inda fique atrás do rosto, quem pensa por você é o nervo exposto?
Joana em Gota d'Água, de Chico Buarque e Paulo Pontes
e foi então que ela achou a resposta: "se você não cuida de você, ninguém poderá cuidar" deletou a história, encerrou a exposição, e foi viver longe, bem longe do absurdo.
"- ...how do people change? - Well, it has something to do with God. So it's not very nice. God splits the skin with a jagged thumbnail from throat to belly. Then plunges a huge, filthy hand in. He grabs hold of your bloody tubes. You slip to evade his grasp, but he squeezes hard. He insists. He pulls and pulls... till all your innards are yanked out. And the pain... I can't even talk about that. Then he stuffs them back... dirty, tangled, torn. It's up to you to do the stitching. - Get up. Walk around. - Just mangled guts pretending. - Yeah. That's how people change."
"- ...como as pessoas mudam? - Bom, tem alguma coisa a ver com Deus, então não é muito agradável. Deus rasga a pele, com uma unha dentada, da garganta à barriga. E aí enfia uma mão imensa e suja lá dentro. Ele agarra os seus canos sangrentos e você desliza para escapar, mas ele agarra firme. Ele insiste. Ele puxa, puxa, até que suas vísceras sejam arrancadas para fora. E a dor... Nem consigo falar sobre isso... E aí ele enfia de volta, sujas, enroscadas, rotas. Cabe a você dar os pontos. - Levante-se. Caminhe. - Somente visceras destroçadas fingindo. - É. É assim que as pessoas mudam."
é tudo misturado e não é nada. a gente espera a vida inteira por alguma coisa que nem sabe o que é. a gente pensa que sabe, mas quando chega o que a gente pensou e não é, aí a gente vê que não sabia nada. então a gente continua esperando não se sabe o quê, que complete, que faça feliz todo dia. a gente espera a hora certa, que um dia mude, que o amor chegue, que alguém venha pra ficar, que queira muito, que ame igual, que deseje sempre, que esteja junto de verdade, e em paz, toda noite, toda manhã. a gente espera o bonde, o trem, o avião, o bebê. é tudo misturado e não é nada. eu faço com você o que você faz comigo mas é só pra ver se funciona. senão eu não faria. mas então de tanto fazer acabo achando que eu sou assim, que posso ser assim pra que você continue ao meu lado. eu tento ser diferente para quem sabe você me amar pra sempre. mas talvez eu continue esperando a vida inteira. porque é tudo misturado e não é nada. quando será que só amar basta? a Menina escreveu em
23.8.09
sexta-feira, 21 de agosto de 2009
a alma boa (e por que desistimos de sê-la)
quem um dia irá dizer que existe razão nas coisas feitas pelo coração e quem irá dizer que não existe razão
hoje eu escrevo pra você, que eu sei que me lê, porque chove muito lá fora e acho que você chora sozinha no seu quarto. então lhe faço companhia. você que hoje representa tantas noites que já foram minhas. o papel que tantas vezes foi meu. e ainda é também. e será tanto ainda, embora eu tente. você que talvez seja pequena demais para uma dor tão grande. frágil embora forte. nessa dor da chuva tão cruel que às vezes nenhuma força suporta (além do tempo). muita gente nem sabe. se soubesse não entenderia. a dor. encharcada de falta e vazio e ausência e frio, quem sabe. muita gente não compreenderá jamais. a dor da chuva. mas eu sei e compreendo porque já estive lá. por isso lhe escrevo. você não está sozinha na chuva. ela é nossa. quem já passou por essa tempestade se torna cúmplice para sempre de todos os outros. quem já passou por essa tempestade detém este segredo inacreditável para quem está bem no meio dela: ela passa. mas enquanto é só segredo e você não sabe, eu escrevo pra você. porque chove e você provavelmente chora sozinha no seu quarto. eu lhe escrevo, sozinha no meu. e então estamos juntas e a vida segue com algum conforto. ainda que pequeno, pequena. a Menina escreveu em
20.8.09
1. absurdo é o que não cabe em si, em nós. aquilo que é difícil de expressar. “absurdo” é depois que terminam todas as palavras, mas a coisa continua linda. absurda.
2. Toda vez que uma carta de amor é rasurada, uma borboleta morre. 3. e se hoje fosse o fim?
(...) chorou livremente, como se esta fosse a solução. As lágrimas corriam grossas, sem que ela contraísse um só músculo da face. Chorou tanto que não soube contar. Sentiu-se depois como se tivesse voltado às suas verdadeiras proporções, miúda, murcha, humilde. Serenamente vazia.- Clarice, em Perto do Coração Selvagem a Menina escreveu em
18.8.09
segunda-feira, 17 de agosto de 2009
minha vida sem mim
é esse espaço vazio e redundante que me mata. permanece e me mata. quando falta abraço, olhar, palavra, convicção. é essa falta nesse vazio. esse espaço. é isso que já não me acalma, não me preenche, não me acalenta, não me convence. não é companhia de verdade. é essa paciência que eu não tenho e essa angustia que tento evitar. em vão. me engano por meio instante e acabou. choro fingindo que não sei por quê, mas sei. sei tão mais do que devia. sei todo dia do que é muito melhor não saber. tanta coisa que eu queria esquecer. e não esqueço. sei. esqueço de mim mas de repente quero desistir outra vez. de verdade. quero falar mas não sai. eu sei, mas não sai. e o que eu vejo me dói porque de novo me falta o reflexo. me falta o que de novo são os outros que têm. e eu tenho só que entender. só que não, eu não consigo. porque me falta me falta me falta. choro quando não deveria. eu sabia. é esse espaço vazio e redundante que me mata. a Menina escreveu em
17.8.09
domingo, 16 de agosto de 2009
sem exclamação
Sou fraca, dúbia, há uma charlatã dentro de mim embora eu fale a verdade. E sinto-me culpada de tudo. Eu que tenho crises de cólera, "cóleras sagradas". E não encontro o recolhimento da paz. Por piedade, me deixem viver! Eu peço pouco, é quase nada mas é tudo! Paz, paz, paz! Não, meu Deus, não quero ter paz com ponto de exclamação. Quero apenas o mínimo seguinte: paz. Assim, bem, bem devagarzinho... Assim... quase dormindo... Isso... isso... está quase vindo...
Não me assustem, sou assustadíssima.
Clarice, em Um Sopro de Vida a Menina escreveu em
16.8.09
quarta-feira, 12 de agosto de 2009
a passagem
e então nos deparamos com ela outra vez. e de novo nos damos conta de toda a insensatez: o resto é pequeno demais diante do que inflama. o importante é estar perto de quem se ama.
e eu te amo. por isso estou perto de você neste momento dolorido e em todos os outros. pelos próximos... quantos anos mesmo?!
PS1: te prometo, logo logo vamos comprar a nossa pra Paris em homenagem a eles. PS2: as duas estão fazendo quibe cru juntas pra turma de lá! isso sim é o paraíso! a Menina escreveu em
12.8.09
terça-feira, 11 de agosto de 2009
Cuidame
Cuida de mis labios, Cuida de mi risa. Llévame en tus brazos, Llévame sin prisa.
No maltrates nunca mi fragilidad, Pisaré la tierra que tú pisas.
Cuida de mis manos, Cuida de mis dedos. Dame la caricia, Que descansa en ellos.
No maltrates nunca mi fragilidad, Yo seré la imagen de tu espejo.
Cuida de mis sueños, Cuida de mi vida. Cuida a quién te quiere, Cuida a quién te cuida.
No maltrates nunca mi fragilidad, Yo seré el abrazo que te alivia.
Cuida de mis ojos, Cuida de mi cara. Abre los caminos, Dame las palabras.
No maltrates nunca mi fragilidad, Soy la fortaleza de mañana. Cuidame, Pedro Guerra e Jorge Drexler a Menina escreveu em
11.8.09
segunda-feira, 10 de agosto de 2009
prefiro que alguém fale por mim porque se eu falar serei direta cruel e estúpida ou do egoísmo, do desrespeito, da arrogância, do desamor e outras histórias ou como uma fruta estragada pode contaminar toda a cesta ou, enfim, ... As almas fracas como você são facilmente levadas a qualquer loucura com um olhar apenas por almas fortes como a minha. - Clarice, de Obssessão, em A Bela e a Fera É preciso saber sentir, mas também saber como deixar de sentir, porque se a experiência é sublime pode tornar-se igualmente perigosa. Aprenda a encantar e a desencantar. Observe, estou lhe ensinando qualquer coisa de precioso: a mágica oposta do "abre-te, Sésamo". Para que um sentimento perca o perfume e deixe de intoxicar-nos, nada há de melhor que expô-lo ao sol. - de novo, de Obssessão - em A Bela e a Fera
Se não há coragem, que não se entre. Que se espere o resto da escuridão diante do silêncio, só os pés molhados pela espuma de algo que se espraia de dentro de nós. Que se espere. Um insolúvel pelo outro. Um ao lado do outro, duas coisas que não vêem na escuridão. Que se espere. Não o fim do silêncio mas o auxílio bendito de um terceiro elemento: a luz da aurora. - Clarice, em Uma Aprendizagem ou o Livro dos Prazeres
E sabia que era uma feroz entre os ferozes seres humanos, nós, os macacos de nós mesmos. Nunca atingiríamos em nós o ser humano. E quem atingia era com justiça santificado. Porque desistir da ferocidade era um sacrifício. - de novo, Uma Aprendizagem ou o Livro dos Prazeres a Menina escreveu em
10.8.09
domingo, 9 de agosto de 2009
ele
escuto histrórias e reconheço o que não quero mais
repetidas iguais diferentes antigas e tão atuais
escuto histórias e me assusto
estou com medo de tudo a Menina escreveu em
9.8.09
enquanto você me abraça e dorme em mim eu durmo com você dentro a Menina escreveu em
3.8.09
sábado, 1 de agosto de 2009
eu já provei o amor pelo sabor do gesto
preciso registrar este dia. de alegria. e eu merecia.
show da Zelia no Citibank. cancelaram minha peça às 21h. 21h45 cheguei na bilheteria, vazia. 21h48 eu tinha o que mais queria o me-lhor-lu-gar da platéia. fila UM, mesa do MEIO, cadeira colada no palco. entre ídola e plebéia, nada, só hipnose e ar. ao meu lado, o meu amor, holding my hand. (e a odete roitman).
a redenção do 31 de julho, dez anos depois do tombo. (três dias depois do tombo) a Menina escreveu em
1.8.09
terça-feira, 28 de julho de 2009
a maldição do dia seguinte em dois atos rápidos e cortantes
1. Minha verdade espantada é que eu sempre estive só de ti e não sabia. Agora sei: sou só. Eu e a minha liberdade que não sei usar. Grande responsabilidade da solidão. Quem não é perdido não conhece a liberdade e não a ama. Quanto a mim, assumo a minha solidão. Que às vezes se extasia como diante de fogos de artifício. Sou só e tenho que viver uma certa glória íntima que na solidão pode se tornar dor. E a dor, silêncio. Guardo seu nome em segredo. Preciso de segredos para viver. Clarice Lispector, em Água Viva
2. Perdi alguma coisa que me era essencial, e que já não me é mais. Não me é necessária, assim como se eu tivesse perdido uma terceira perna que até então me impossibilitava de andar, mas que fazia de mim um tripé estável. Essa terceira perna eu perdi. E voltei a ser uma pessoa que nunca fui. Voltei a ter o que nunca tive: apenas duas pernas. Sei que somente com as duas pernas é que posso caminhar. Mas a ausência inútil da terceira me faz falta e me assusta, era ela que fazia de mim uma coisa encontrável por mim mesma, e sem sequer precisar me procurar. Clarice, em A Paixão Segundo G.H. a Menina escreveu em
28.7.09
segunda-feira, 27 de julho de 2009
27 de julho
é meu aniversário e me sinto feliz como havia muito não sentia.
eu amo aniversário mas amo muito mais quem enche minha vida de alegria.
então de aniversário o presente maior é este: tudo que é leve, e lindo... tudo aquilo que alivia.
não é só no álbum de fotos que vocês vão entrar. mas na minha vida, na minha história, no meu lar.
não é só um cinema, um café, um almoço, um jantar. eu quero viagens longas, confidências, montanha e mar.
não é só porque por acaso vocês estão lá e eu vou encontrar. nós agora estamos ligadas de fato e não vai ser nada fácil separar.
não é só porque eu quis tanto que vocês se aproximassem pra ficar. é que nada é mais bonito do que o verbo onde tudo entre nós está: amar. a Menina escreveu em
26.7.09
ressuscitamos o john e agitamos a cidadezinha do carlos
e então você acorda de sonhar comigo e eu acordo de sonhar com você
e a gente descobre que o sonho não acabou. eta vida besta boa, meu Deus! "Devagar... as janelas olham." a Menina escreveu em
13.7.09
domingo, 12 de julho de 2009
doze de julho Nem tudo que reluz corrompe Nem tudo que é bonito aparenta Nem tudo que é infalível se aguenta Nem tudo que ilude mente Nem tudo que é gostoso tá quente
Nem tudo que se encaixa é pra sempre
Nem tudo que é sucesso se esquece Nem todo pressentimento acontece Nem tudo que se diz tá dito
Nem tudo que não é você é esquisito
Nem tudo que acaba aqui Deixa de ser infinito nem tudo, zelia duncan a Menina escreveu em
12.7.09
quarta-feira, 8 de julho de 2009
o novo infinito
e então num dia 8 novo depois de uns 800 dias e de umas 80 mil desvontades há de novo uma alegria sem prazo o começo de algum caminho bonito e feliz
E quando você me vê eu vejo acender outra vez aquela chama Então pra que se esconder você deve saber o quanto me ama Que distância vai guardar nossa saudade Em que lugar vou te encontrar de novo Fazer sinais de fogo Pra você me ver Quando eu te vi e te conheci Não quis acreditar na solidão E nem demais em nós dois Pra não encanar Eu me arrumo, eu me enfeito, eu me ajeito Eu interrogo meu espelho Espelho em que eu me olho Pra você me ver Porque você não olha cara a cara Fica nesse passa não passa O que te falta é coragem...
tô namorando aquela mina e já sei se ela me namora
Minha mina Minha amiga Minha namorada Minha gata Minha sina Do meu condomínio Minha musa Minha vida Minha monalisa Minha vênus Minha deusa Quero seu fascínio
mina do condomínio, seu jorge a Menina escreveu em
8.7.09
ela olhava para o nada e pensava no que queria dizer. não achava as palavras perfeitas, mas conhecia tão bem aquela sensação. talvez se deixasse em branco, quem lesse entenderia melhor. aquela coisa. aquela coisa que a gente sente quando sabe que aquilo vai acontecer de novo. ela sentia, e sabia. e não gostava nada de sentir aquilo. ai, como destestava aquilo. ela sentia e detestava. sempre queria que não acontecesse mais, mas de repente acontecia. de novo, mais uma vez, inevitável. aquela coisa. aquela coisa. a Menina escreveu em
2.7.09
segunda-feira, 29 de junho de 2009
hércules e afrodite
hoje eu recebi uma enorme prova de amor. não sei exatamente que tipo de amor é esse, mas não importa. eu sei que é amor.
porque quando alguém supera uma dificuldade enorme, e consegue voltar atrás de uma mentira muito repetida e te dizer a verdade com a maior doçura do mundo, só pode ser por amor. e com amor.
e é normalmente ele mesmo, o amor, que nos faz superar o difícil, o impossível, o improvável, quase tudo que atrapalha a felicidade.
portanto ame de verdade - e com verdade - e o resto vem. a Menina escreveu em
29.6.09
a ver dade é que eu estou me protegendo de você. e não sei se vou conseguir sair da concha. não sei se vou sentir de novo o que sentia antes. embora eu sinta um monte de coisas. mas se não for como era será que vale a pena pegar a onda ?
hoje falta exatamente um mês pro meu aniversário que eu adoro amo festejo muito. um monte de coisas aconteceram hoje entre amores e visitas e peças e sequestros. mas o melhor de tudo aconteceu às duas e meia da manhã no meio da rua. porque é muito divertido pensar que depois que você cruza por acaso com determinada pessoa caminhando na calçada de madrugada ela e você fazem exatamente o mesmo comentário tosco no segundo que se segue ao olá mais tosco ainda: era a ex-namorada da minha ex-namorada. e a pessoa que está ao seu lado sorri um sorriso cúmplice e apenas deixa a vida seguir feliz e compassada. era óbvio que ia acon tec er. a Menina escreveu em
27.6.09
sexta-feira, 26 de junho de 2009
balanço | s. m. 1. Movimento de oscilação ou vaivém. 2. Sacudidela, solavanco. 3. Trapézio. 4. Hesitação. 5. Mudança (sem caráter de duração). 6. Operação de contabilidade tendente a conhecer a receita e a despesa.
fechada | adj. 1. Que não está aberta; cercada de muros. 2. Unida, compacta. 3. Reservada; retraída. 4. Insensível. a Menina escreveu em
26.6.09
é tão fácil amar você que eu nem me culpo. a heresia seria minha se eu não te amasse. essa comunhão é a verdadeira oferenda. eu te ofereço meu cuidado, meu tempo. você me dedica palavras e gestos e sons. e tudo se ilumina quando eu te olho nos olhos. e quando nos vemos, muito além do que pensam. quando nos vemos como só nós sabemos. com os olhos molhados ou não, é lindo e único e nosso. e estava tudo lá, naquele abraço. em todos os abraços.
sim, filha minha, amada minha, poderemos entrar no paraíso. e assim será feito. graças a deus!
te amo com todo o carinho do mundo. a Menina escreveu em
21.6.09
sábado, 20 de junho de 2009
eu não minto mais pra você
não é uma delícia quando você chega com uma amiga num ponto de tamanha intimidade, gentileza, parceria, cumplicidade e alegria que nem sabe mais se é amor ou amizade mas isso não importa porque já é família e vai ser assim pra sempre mesmo que a gente fique gorda pobre banguela careca e demente?
coisas que eu não deveria dizer se eu quisesse ser sua mulher
mas eu não tenho sempre as unhas compridas e vermelhas não tenho o cabelo sempre liso não estou sempre arrumada quase nunca uso rendas sob a roupa não costumo fazer a sobrancelha de vez em quando minha pele não tá sempre ótima meu perfume não é de mulherzinha nem minhas botas minhas meias meus sapatos meus chinelos nem minhas camisolas nem meus anéis nem um monte de coisas que você desejaria mesmo que eu use brincos interessantes todo dia e pinte os olhos eu não sou vaidosa mesmo estando sempre cheirosa e disposta com meu melhor sorriso e cheia de palavras bonitas ou despudoradas sussurradas ou quase não ditas quando é melhor não falar e eu sou de verdade eu grito peço escuto escolho obedeço esqueço acredito sou corajosa e forte mas frágil e carinhosa eu entendo explico espero tenho um monte de coisas boas e ruins e misturadas mas sou esta pessoa e não aquela e posso até mudar um pouco pra te agradar com prazer talvez mas primeiro você tinha que me querer assim mesmo no pior dia porque quando eu estiver grávida embora toda mulher que carrega uma criança seja linda pode ser que eu fique um horror e você tinha que gostar mesmo assim enfim eu não fui feita no molde que você adora e talvez eu tenha preguiça de me transformar todo dia ou não pode ser até natural se for um amor profundo e preenchido de alegria além de desejo mas por isso talvez a gente se derreta pra virar uma coisa só ou nada. a Menina escreveu em
19.6.09
terça-feira, 16 de junho de 2009
de um reencontro inesperado, feliz e sedutor numa noite gelada de um abraço quente e um sorriso enorme pra matar uma saudade fria de uma conversa cheia de verbos e versos e coisas bonitas de um grande amor
Errar é útil Sofrer é chato Chorar é triste Sorrir é rápido Não ver é fácil Trair é tátil Olhar é móvel Falar é mágico Calar é tático Desfazer é árduo Esperar é sábio Refazer é ótimo Amar é profundo E nele sempre cabem de vez Todos os verbos do mundo Abraçar é quente Beijar é chama Pensar é ser humano Fantasiar também Nascer é dar partida Viver é ser alguém Saudade é despedida Morrer um dia vem Mas amar é profundo E nele sempre cabem de vez Todos os verbos do mundo
Todos os verbos, Zélia Duncan - Marcelo Jeneci a Menina escreveu em
16.6.09
segunda-feira, 15 de junho de 2009
pelo sabor do gesto (porque toda coisa com razão tem seu tempo)
Queria descobrir Em 24hs tudo que você adora Tudo que te faz sorrir E num fim de semana Tudo que você mais ama E no prazo de um mês Tudo que você já fez É tanta coisa que eu não sei Não sei se eu saberia Chegar até o final do dia sem você
E até saber de cor No fim desse semestre O que mais te apetece O que te cai melhor Enfim eu saberia 365 noites bastariam Pra me explicar por que Como isso foi acontecer Não sei se eu saberia Chegar até o final do dia sem você
Por que em tão pouco tempo Faz tanto tempo que eu te queria
a única pessoa importante pra mim entre três milhões de desconhecidos e iguais
era um cego andando muito devagar, tentando atravessar a multidão pelas bordas da avenida paulista no meio de um milhão de pessoas. um homem pobre, pobre, velho e maltratado. as mãos grossas e muito sujas se revezavam entre segurar o bastão que são olhos e tatear um corrimão que protege a calçada da rua, em busca de um caminho para não se sabe onde. mas um caminho por onde andar, protegido. (de quê?). provavelmente ele não podia nem imaginar o que seus olhos veriam ali, se vissem. talvez, caso ele saiba o que é uma guerra, estivesse com a sensação de estar no meio de uma. a passos de tartaruga - ou de bebê frágil e indefeso - ele avançava num ritmo alheio e único: que me esfaqueava o peito a cada movimento, que me deixava cada nervo do corpo exposto instantaneamente. que dor. que dor profunda e insuportável. as ruas imundas e a minha vida devastada.
ele passou por mim sem fazer idéia de que naquele instante tomava e levava consigo toda a minha chance de felicidade para sempre. como um ímã ele tomou de mim a alegria, qualquer que houvesse, e eu fui invadida por uma tristeza em cascata que me desmontou num segundo em choro e soluço. lá estava eu, num pranto repentino, desamparada e destruída pela visão daquele homem que não vê, naquela situação.
a minha impotência diante daquela cegueira absolutamente solitária e invisível em meio a touros desesperados na arena me doeu como se me arrancassem os olhos com dois pegadores de gelo. foi um frio, mas um frio tão duro bem direto na minha testa, que me perfurou a cabeça e me congelou a alma.
assim mesmo, com essa força que não cabe nas piores palavras.
desde então, nada me consola. mais uma vez, como tem sido a vida inteira. por que, meu Deus (?) por quê?
orgulho? orgulho de quê?
cego é aquele que não quer ver. era um cego andando muito devagar e tentando atravessar a multidão cega. cego é aquele que vê e nada faz.
eu. a pior de todas.
que Deus abençoe o senhor, se é que eu tenho o direito de pedir alguma coisa, enquanto choro. a Menina escreveu em
14.6.09
sábado, 13 de junho de 2009
os meus olhos no futuro
Eu não sei o que você quer de mim Mas eu sei o que eu posso te dar
acabei de me dar conta de por que estou assim. porque hoje é dia oito de junho. que merda de felicidade perdida. a Menina escreveu em
8.6.09
a prisão
por que que a gente não tem o direito de cansar, dar tchau, e ir embora? afinal de contas ninguém tem nada a ver com isso, meu Deus. meu Deus?? a Menina escreveu em
8.6.09
domingo, 7 de junho de 2009
...
há um sentimento sem nome que come as palavras presas no cimento da cabeça. cresça eles sempre disseram e de repente o futuro é presente e o seguro morreu. de velho conselho a repetição então se cansa. vê que o vazio se preenche quando a criança chora. tantas vezes eu já disse vambora. mas fica não serve não cicatriza se não quiser. tem uma mulher no espelho. da menina se mantem a caminhada, a morada, a incompreensão. ser ou não ser eis a questão respondida. se é cansaço é da vida. dura o tempo que exagera. não adianta. levanta e vai pra fila de espera. a Menina escreveu em
7.6.09
1. eu me sento em frente ao fogo e no silêncio dos estalos penso penso em tanta coisa em tanta gente misturada e penso nada
2. eu olho para o fogo e faço mil perguntas em silêncio ele não responde só queima
3. o frio solitário do quarto distante do fogo me angustia de morte como a solidão assustadora dos dias seguidos de ausência cruel
4. a luz nos meus olhos diante do fogo enche a vida de possibilidade a luz nos meus olhos diante do fogo me ilude me queima me cega
5. as cores do fogo queimando a madeira e a madeira queimando as cores do fogo fogo madeira queimando as cores e as cores as cores as cores as cores as cores
8. não era sobre nada disso que eu queria escrever de silêncio solidão cores era sobre o fogo que só pára de queimar e morre depois que queima tudo a Menina escreveu em
4.6.09
depende de quê? depende do clima, depende do humor, depende do estado de espírito, depende da paciência? depende de quem? depende de quando? depende da vontade, depende da claridade, depende da idade, depende da diferença, da igualdade? depende do risco? depende do riso? depende da conversa? depende da ansiedade? depende de onde? depende de quê? depende de você? depende de mim? depende das circunstâncias, das coincidências, das tolerâncias, das tendências? depende da insistência? depende da coragem? depende da solidão? depende da chuva, do sol, do mar, do sal? depende de qual? depende da abordagem? depende do jeito? depende do espelho, depende da quantidade, depende da verdade, depende da ocasião? depende do vinho, do vício, da fome, da fantasia? depende da sabedoria? dependia? dependeria? depende de quê? depende do passado? depende do futuro? depende dos presentes? depende dos sussuros? depende do ambiente? depende dos casmurros, dos amados, das clarices, de pessoa? depende da pessoa? depende da coroa? depende do chapéu? depende do véu? depende de quê? depende da clareza, da certeza? ou depende da ponte? depende do horizonte? depende do olhar, depende do andar, depende do caminho, do ninho, da esperança? depende da juventude? depende da infância? depende da relevância? depende da insensatez? depende de uma vez? depende da repetição? depende da razão? depende da fé, da ousadia, do costume, da vaidade? depende do sexo? depende da curiosidade? depende do impulso? do pulso? depende do coração? depende da emoção? depende da lareira, da saideira, da programação? depende de quanto tempo? depende do vento? depende da velocidade, da força, da gentileza? depende de quem paga? depende de quem dirige? depende do convite, do palpite, da conclusão? depende da definição? depende da sutileza? depende da mesa? depende do banho? depende da cama? depende do cobertor? depende dos lençóis, do travesseiro? depende do receio? da família? da intimidade? depende da liberdade? depende da confiança? depende da aliança? depende do plano, do oceano? depende do engano? depende se tocar caetano, chico, fábio, ivete? depende do chiclete? depende da comida? depende da vida? depende de quê? depende de quem? depende de quando? depende do amor? o amor depende? depende de quê? depende? a Menina escreveu em
2.6.09
segunda-feira, 1 de junho de 2009
a primeira segunda de mais um mês
nada como uma manhã de sol cheia de certeza e luz.
elas cantam o rei e eu sorrio em êxtase ao ouvir as canções que ele fez pra mim e lembrar que respiro todo dia feliz e livre de tudo que é passado
Onde você estiver não se equeça de mim Com quem você estiver não se esqueça de mim Eu quero apenas estar no seu pensamento Por um momento pensar que você pensa em mim Onde você estiver não se esqueça de mim Mesmo que exista outro amor que te faça feliz Se resta em sua lembrança um pouco do muito que eu te quis Onde você estiver não se esqueça de mim Eu quero apenas estar no seu pensamento Por um momento pensar que você pensa em mim Onde você estiver não se esqueça de mim Quando você se lembrar não se esqueça que eu Que eu não consigo apagar você da minha vida Onde você estiver não se esqueça de mim Não se esqueça de mim, Roberto e Erasmo
Você não sabe quanta coisa eu faria Além do que já fiz Você não sabe até onde eu chegaria Pra te fazer feliz Eu chegaria Onde só chegam os pensamentos Encontraria uma palavra que não existe Pra te dizer nesse meu verso quase triste Como é grande o meu amor Você não sabe que os anseios do seu coração São muito mais pra mim Do que as razões que eu tenha Pra dizer que não E eu sempre digo sim E ainda que a realidade me limite A fantasia dos meus sonhos me permite Que eu faça mais do que as loucuras Que já fiz pra te fazer feliz Você só sabe Que eu te amo tanto Mas na verdade Meu amor não sabe o quanto E se soubesse iria compreender Razões que só quem ama assim pode entender Você não sabe quanta coisa eu faria Por um sorriso seu Você não sabe Até onde chegaria Amor igual ao meu Mas se preciso for Eu faço muito mais Mesmo que eu sofra Ainda assim eu sou capaz De muito mais Do que as loucuras que já fiz Pra te fazer feliz Você não sabe, Roberto/Erasmo
Olha você tem todas as coisas Que um dia eu sonhei prá mim A cabeça cheia de problemas Não me importo, eu gosto mesmo assim Tem os olhos cheios de esperança De uma cor que mais ninguém possui Me traz meu passado e as lembranças Coisas que eu quis ser e não fui Olha você vive tão distante Muito além do que eu posso ter E eu que sempre fui tão inconstante Te juro, meu amor, agora é pra valer Olha, vem comigo aonde eu for Seja minha amante, meu amor Vem seguir comigo o meu caminho E viver a vida só de amor Olha, Roberto/Erasmo
Eu vi um menino correndo Eu vi o tempo Brincando ao redor Do caminho daquele menino Eu pus os meus pés no riacho E acho que nunca os tirei O sol ainda brilha na estrada E eu nunca passei Eu vi a mulher preparando Outra pessoa O tempo parou pra eu olhar Para aquela barriga A vida é amiga da arte É a parte que o sol me ensinou O sol que atravessa essa estrada Que nunca passou Por isso uma força Me leva a cantar Por isso essa força Estranha no ar Por isso é que eu canto Não posso parar Por isso essa voz tamanha... Eu vi muitos cabelos brancos Na fonte do artista O tempo não pára e no entanto Ele nunca envelhece Aquele que conhece o jogo Do fogo das coisas que são É o sol, é o tempo, é a estrada É o pé e é o chão Eu vi muitos homens brigando Ouvi seus gritos Estive no fundo de cada Vontade encoberta E a coisa mais certa De todas as coisas Não vale um caminho sob o sol E o sol sobre a estrada É o sol sobre a estrada É o sol... Por isso uma força Me leva a cantar Por isso essa força Estranha no ar Por isso é que eu canto Não posso parar Por isso essa voz, essa voz tamanha... Força Estranha, Roberto/Caetano
fernanda é simone e o meu coração simone é beta tati mari dani juli kiki kaká zazá todas
eu lá da platéia assisto tudo choro tudo e não sou ninguém sou apenas o esboço de tudo que queria ter sido
ou do que serei em 40 anos se a vida for um milagre
e se eu então falar pouco e se eu ainda falar muito
com você todas
...
PS: recordar é viver: meu tête-à-tête e viver é ter visto fernanda contando esta história... a Menina escreveu em
28.5.09
quarta-feira, 27 de maio de 2009
não seis
fui assistir a minha amiga cantar e então me dá vontade de escrever aqui todas as letras das músicas com a voz maravilhosa dela pra todo mundo ouvir o que eu ouvi e ficar feliz, mas não sei.
e aí eu vi uma exposição de arte para as crianças brincarem e tem poesia abstrata e concreta e sonho e pedra e eu queria colocar tudo aqui pra todo mundo sentir o que eu senti, mas não sei.
e depois fui comer com uns amigos e falamos de mil coisas boas e morremos de rir e eu tento lembrar umas frases que falamos lá pra escrever aqui pra compartilhar, mas não sei.
e então eu desço a cardeal com trânsito e fico lendo um monte de filosofia de rua nas paredes do cemitério e penso que seria legal decorá-las e guardá-las aqui, mas não sei.
e isso me leva longe e reflito sobre a vida a morte o meu tio que foi embora na semana passada depois de sofrer bastante mas não perder a fé e tento me lembrar bem da minha, mas não sei.
e eu queria falar muito da minha mãe que eu amo que está aqui sentada no sofá fazendo tapeçaria e isso me obriga a ficar acordada mesmo com sono porque é meu único tempo ao lado dela, mas não sei.
mas se você não admirar a pessoa, se não tiver orgulho dela, daquilo que ela é, daquilo que ela faz, daquilo que ela acredita... se você não se sentir a criatura mais feliz e privilegiada do universo por estar ali de mãos dadas com ela... se você não se encher de alegria, se seus olhos não brilharem, se você não tiver uma vontade louca de apresentá-la pra todo mundo porque ela é o máximo... se você não achar que ela é linda de morrer e que ninguém tem mais brilho... se você não tiver pelo menos uma pequena esperança de que um dia a sua casa estará aberta para ela, os aniversários, as páscoas, os natais, os almoços de domingo... se você não fizer questão de conhecer e amar a família dela... e os amigos dela... se você não cogitar a possibilidade maravilhosa e perfeita de vocês envelhecerem sem se desgrudar, lendo na cama, assistindo a todos os seriados que ainda vão inventar, indo ao cinema e ao teatro, jantando fora, no japa, no mexicano, na churras ou em qualquer boteco... se você não tiver certeza de que terá assunto para conversar com ela pro resto da vida... se você, enfim, não tiver uma vontade genuína e feliz de agradecer aos céus ou sejalá-pra-quem cada vez que olhar para ela... aí, bobagem, vai passar logo, pode esperar. a Menina escreveu em
26.5.09
segunda-feira, 25 de maio de 2009
there is no place like home
é porque há, sim, alegria. tanta que eu me confundo. é um dia, outra noite, uma madrugada inteira, sol de manhã. sonhos espalhados pelo corredor e um monte de futuro. estar seguro é estar a salvo e salvo algumas ruas desertas eu estou. quando não sei se vou por favor decide por mim é tão bom. o som da sua boca toca mil motivos na minha falta. posso usar ribalta só pra rimar mas o que eu queria mesmo... seus olhos. um pouco. como é louco o sentido se a gente deixar. poderia até ser verdade. engraçada a vaidade mesmo quando não é. e como é sorridente a alegria. utopia ou não já me condena culpada. traiçoeiro o pensamento. mas que nada. é vento. é vento. é vento. que cilada a alegria. eu sei saberei já sabia. a Menina escreveu em
25.5.09
o que eu vou dizer não é triste. mas é isto. e isto é o que há: o que não há.
e então sempre como não podia ser diferente depois de tudo é tudo sempre igual. você entra no seu carro e vai dirigindo sozinha pelo caminho decorado. chega sozinha dorme vai acordar e... replay.
so what? oh dear, come on and change it all. a Menina escreveu em
23.5.09
abram as cortinas tem alguém gritando lá atrás. pelo amor de deus abram as cortinas tem alguém sufocando lá atrás. não vejo nada quando vem a luz ela se cala. abre as cortinas e entra. ninguém vai lhe falar nada é você que tem que ir. pode ser escuro talvez você se machuque mas pode ser bonito à luz de velas quando seus olhos se acostumarem com o jeito de olhar. ela não vai deixar você se machucar. abram as cortinas pelo amor de deus! ela não pode andar até aqui a marca é outra ela não ultrapassa os limites. mas estende as mãos na espera. que venha. abram as cortinas que já é tempo. ainda até quando não sabe se vai desistir logo ou nunca. sabe que o cheiro pode ser inebriante mas tem medo da ilusão. tem medo de todas as ilusões. por favor, abram as cortinas tem alguém gritando aqui. pode ser bonito.
...
Seconds, hours, so many days. You know what you want but how long can you wait? Every moment last forever if you feel you’ve lost your way. What if your chances are already gone? Started believing that I could be wrong But you give me one good reason to fight and never walk away. Coz hear I am — still holding on!
Every step you climb another mountain Every breathe its harder to believe You’ll make it through the pain Weather the hurricane To get to that one thing
- tá tudo muito estranho, ela disse. eu, concordei.
ali diante daquele rosto que de estranho para mim já não tem nada, concordei. protegida atrás da penumbra e das minhas omissões convictas, concordei. concordei sorrindo, ainda que resignada: - é, tá tudo muito estranho mesmo.
mas concordei pensando na distância enorme e intransponível que há entre o estranho dela e o meu. o dela é ingênuo e passageiro, se resolverá logo. o meu, não. o meu estranho é profundo e vai permanecer. estará lá a cada penumbra e a cada uma das minhas omissões repetidas. será tudo sempre muito estranho enquanto eu não sei exatamente do que ela fala e enquanto eu falo de qualquer coisa para prolongar o tempo, a penumbra e o meu sorriso. será sempre muito estranho enquanto for estranho. para ela, raso e infantil. para mim, um céu, um mar, um absimo. a Menina escreveu em
14.5.09
terça-feira, 12 de maio de 2009
vaga
tem os que passam e tudo se passa com passos já passados
tem os que partem da pedra ao vidro deixam tudo partido
e tem, ainda bem, os que deixam a vaga impressão de ter ficado Alice Ruiz a Menina escreveu em
12.5.09
segunda-feira, 11 de maio de 2009
ex-finge
Estás só. Ninguém o sabe. Cala e finge. Mas finge sem fingimento. Nada ’speres que em ti já não exista, Cada um consigo é triste. Tens sol se há sol, ramos se ramos buscas, Sorte se a sorte é dada.
de mães, amores, saudades incuráveis e o estômago embrulhado
1. do estômago embrulhado hoje recebi notícias invisíveis recebi notícias invisíveis hoje recebi notícias hoje invisíveis
2. das saudades incuráveis Saudade é um pouco como fome. Só passa quando se come a presença. Mas às vezes a saudade é tão profunda que a presença é pouco: quer-se absorver a outra pessoa toda. Essa vontade de um ser o outro para uma unificação inteira é um dos sentimentos mais urgentes que se tem na vida. (Saudade, em A Descoberta do Mundo, Clarice Lispector)
3. dos amores O "amar os outros" é tão vasto que inclui até perdão para mim mesma, com o que sobra. (...) Amar os outros é a única salvação individual que conheço: ninguém estará perdido se der amor e às vezes receber amor em troca. (...) Sempre me restará amar. Em escrever eu não tenho nenhuma garantia. Ao passo que amar eu posso até a hora de morrer. Amar não acaba. (de As três experiências, em A Descoberta do Mundo, Clarice Lispector)
4. das mães Eu me orgulho deles, eu me renovo neles, eu acompanho seus sofrimentos e angústias, eu lhes dou o que é possível dar. Se eu não fosse mãe, seria sozinha no mundo. Mas tenho uma descendência, e para eles no futuro eu preparo meu nome dia a dia. Sei que um dia abrirão as asas para o vôo necessário, e eu ficarei sozinha. É fatal, porque a gente não cria os filhos para a gente, nós os criamos para eles mesmos. (de As três experiências, em A Descoberta do Mundo, Clarice Lispector) a Menina escreveu em
10.5.09
quarta-feira, 6 de maio de 2009
o que é preciso?
são duas horas da manhã eu preciso trabalhar e minha cabeça não deixa. penso em tanta gente em tanta coisa em tantos caminhos caminhados coloridos felizes ou não. eu preciso escrever um monte de coisas que não sei mas só escrevo isso sempre o mesmo de sempre que não sai de mim desde que nasci. cada ano que passa e parece que passa nada passa quando fico assim e não consigo fazer nada além disso que não me serve mais. não posso dormir porque preciso trabalhar mas não consigo me concentrar nisso que talvez devesse importar mas no fundo não tem a menor importância por isso só me pego pensando nas coisas que tornam a vida possível. na minha cabeça nada do que deveria mas se repete a frase da música que ouvi há horas e não devia estar aqui porque não tem nada a ver com isso. a vida é tão rara. o que é que a gente faz quando precisa trocar tudo que está dentro mas não pode esvaziar senão o risco é de não ser são nunca mais enquanto ainda estou aqui. são três horas da manhã e eu preciso trabalhar para provar que sou capaz e sair de casa às nove para chegar lá às dez e dizer quanto eu custo. eu custo a acreditar que isso está acontecendo porque a minha cabeça não pára de cuspir palavras e eu devia estar fazendo outra coisa. coisa. esses cabelos compridos às vezes me irritam demais e então me dou conta de que já perdi a conta de quantas crases usei quando não uso mais trema e então devo estar compensando. são quatro horas da manhã e fico compensando uma coisa com outra portanto entenda que no fundo nada disso tem a ver com você é só um escape. um ladrão. essa coisa toda me rouba um tempo precioso que devia estar sendo ocupado com algo de útil e nada me convence de que o que eu devia estar fazendo é mais útil do que isso. preciso tirar esses passos todos de dentro de mim deitada no chão do xadrez que não acaba nunca enquanto a rainha se movimenta ainda que sem ter a menor idéia de aonde vai e do que pode fazer para vencer o jogo. é uma brincadeira ridícula essa que a cabeça da gente insiste em brincar. bato a testa na parede repetidas vezes para ver se alguma coisa acontece mas eu não enxergo nada a não ser os amores inacabados que me sangram pelas têmporas doloridas de tanto forçar a vista e tentar ver o que não existe. não encontro mais dentro de mim o sangue fervendo que faz tudo valer a pena mesmo no meio da madrugada quando já sei que o dia vai começar e eu não estarei em nenhum outro lugar a não ser neste mesmo espaço repetido há anos. e com a cabeça vazia quando não podia porque eu já disse que esvaziar é um risco grande demais quando são cinco horas da manhã e já já eu não tenho mais lua. ela fica lá e eu não posso tocá-la nunca e mesmo que não queira eu me convenço de que seria bom só pra ter alguma coisa em quem pensar quando chega a madrugada cheia de trabalho incompleto e vontades misturadas a nada. eu misturo tudo toda vez e é por isso que nada chega a lugar nenhum e os meus sonhos são solitários de dia de noite de pedra de pó de poeira de estradas de terra e o pôr de sol de um dia feliz quando passava o trem que a gente achava que estaria lá pra sempre. mas a terra gira e mesmo o mesmo trem é outro e eu nem sei mais onde você está ou quem é você em mim ou em qualquer outra pessoa que te complete ou te iluda. nem você sabe se este você é você porque quando eu falo dessa vontade ela não tem o cheiro de ninguém só o meu coração que não sabe mais o que diz ou sente iludido ou não. eu esqueci tudo que sabia de cor porque nada mais existe em nenhum papel em nenhuma tela é tudo ilusão e cinema que termina quando eu sou obrigada a abrir os olhos cheios d'água na frente e atrás de todo o mundo. e me envergonho me envergonho me envergonho me envergonho porque não levanto da cadeira há horas há anos há dezenas de desejos ridículos e saudade idiota e a luz apagada não demora o tempo que eu preciso para dizer não obrigada. são oito horas da madrugada. deite. o oito. e tudo de novo ficou pra trás pra frente pra sempre que ventania vai acabar a luz de nov a Menina escreveu em
6.5.09
terça-feira, 5 de maio de 2009
quando partes II
236.
(...) Senti tudo de repente. E a minha alegria manifesta-se por este gesto de raiva que não sinto.
são seis horas da manhã de um dia primeiro qualquer eu não durmo não acordo sinto tudo e nada. sinto. faço nada faço tudo caminho o caminho. vou. me alimento e vomito tudo. vomito nada. acredito esqueço tento de novo. nada. diminuo cresço e fico igual. volto. repito tudo e nada tanto faz. luto um pouco depois só. fico esperando o avião. ainda pode ser. era. sei de nada. tudo. falta um pouco. é tudo quase. falta nada. faltava. já foi. é. a Menina escreveu em
1.5.09
I find it kind of funny I find it kind of sad The dreams in which I'm dying Are the best I've ever had I find it hard to tell you 'Cos I find it hard to take When people run in circles It's a very, very Mad World
Children waiting for the day they feel good Happy Birthday, Happy Birthday
hoje eu senti medo aquele medo de criança quando a mãe chega de criança que está fazendo coisa errada senti medo mesmo mas o caso é que eu não sou mais criança e nem estava fazendo nada de errado ninguém estava fazendo nada de errado não mesmo mas deu um medo medo de quê, hein? deve ser a culpa, a culpa, a culpa católica
ou então é o subconsciente. (o que, nesse caso, é muito, muito, muito pior) a Menina escreveu em
28.4.09
segunda-feira, 27 de abril de 2009
a volta pra casa em dois atos
eu sempre venho no carro pensando em milhões de coisas. para dizer, para fazer, para mudar. nesses dias em que repito o caminho que me encerra essas noites repetidas e estranhas, sempre repito o pensamento e tento entender o que está acontecendo. é só comigo? eu me pergunto embora já saiba a resposta. é. tento entender que parte me faz feliz, que parte me deprime, que parte é totalmente absurda e o que, de tudo, sobra pra gente se dar de bom. o desejo. no final eu me faço propostas sinceras, mas quando chego lá no dia seguinte tudo me incomoda de novo. é mais forte do que as minhas mãos. é mais forte do que todas as minhas propostas fiéis durante a volta pra casa. é uma corda no pescoço.
eu sempre vou no carro pensando em milhões de coisas. para te dizer, para te fazer, para te mudar. não, eu não quero te mudar. mas te mudando talvez eu pudesse mudar o que se repete dentro de mim todos esses dias repetidos de idas e vindas. o desejo. eu queria te perguntar o que está acontecendo. é só comigo? é. mas que parte te faz feliz? que parte te deprime? que parte é totalmente absurda? e o que é que, de tudo, a gente pode se dar de bom? é um pouco mais do que isso, não é? o desejo. mas pode ser sincero e fiel e sem nada que incomode no dia seguinte. não pode? porque é forte. e preenche alguns vazios das nossas idas e vindas e voltas pra casa. não? ou é uma corda no pescoço? a Menina escreveu em
27.4.09
Boa história é com você mesmo. Adora ouvir, contar, recontar. As de pessoas interessantes e revolucionárias são as suas preferidas. Tem gente que liga para você só para saber das últimas fofocas. E confesse: com seu jeitinho manso e detalhista, você dá aos fatos um sabor todo especial. Além disso, não se contenta em reproduzir o que já foi dito. Por isso, se fosse um livro, você só poderia ser uma boa biografia, daquelas que faz os leitores deitarem na rede do fim de semana e se entregarem às peripécias de uma grande personagem. Aliás, você já pensou na profissão de repórter? Ou de escritor?
"Carmen – Uma Biografia" (2005), sobre Carmen Miranda, é uma das aclamadas biografias publicadas por Ruy Castro, também jornalista e tradutor, considerado um dos maiores biógrafos brasileiros.
"Antologia poética", de Carlos Drummond de Andrade
"O primeiro amor passou O segundo amor passou O terceiro amor passou Mas o coração continua".
Esses versos tocam você, pois você também observa a vida poeticamente. E não são só os sentimentos que te inspiram. Pequenas experiências do cotidiano – aquela moça que passa correndo com o buquê de flores, o vizinho que cantarola ao buscar o jornal na porta – emocionam você. Seu olhar é doce, mas também perspicaz.
"Antologia poética" (1962), de Drummond, um dos nossos grandes poetas, também reúne essas qualidades. Seus poemas são singelos e sagazes ao mesmo tempo, provando que não é preciso ser duro para entender as sutilezas do cotidiano.
"Morte e vida severina", de João Cabral de Melo Neto
Às vezes você tem uma séria vontade de estapear as pessoas, só para fazê-las acordarem e perceberem as injustiças deste mundo. Como podem viver em seus mundinhos banais, quando há quem passe fome e totalmente à margem de qualquer conforto ou assistência? Esta talvez seja a sua maior revolta. Por isso, você tenta fazer a sua parte. Talvez por meio de um trabalho voluntário, participando de movimentos populares ou somente se exaltando em rodas de amigos menos engajados. De qualquer maneira, você consegue de fato comover pessoas com seu discurso apaixonado e, ao mesmo tempo, baseado numa lógica de compaixão e igualdade que ninguém pode negar.
Essa missão é mais do que cumprida pelo belo "Morte e vida severina" (1966), poema dramático escrito pelo pernambucano Melo Neto que se tornou símbolo para uma geração em conflito com as consequências sociais geradas pelo capitalismo selvagem.
será que quando a gente acha que o outro entendeu muito bem o que a gente quis dizer, o outro entendeu mesmo muito bem o que a gente disse?
e quando a gente não diz? e quando a gente só pensa? e quando a gente só sente? e quando a gente tem medo? e quando a gente só olha? e quando a gente não vê? e quando a gente quase?
e quando a gente ri? será que o outro entende? a Menina escreveu em
23.4.09
Kiss me too firecly Hold me to tight I need help believing You're with me tonight My wildest dreamings Could not forsee Lying beside you With you wanting me!
And just for this moment As long as you're mine. I've lost all resistance And crossed the border line And if it turns out It's over too fast. I'll make every last moment last As long as you're mine.
Maybe I'm brainless Maybe I'm wise But you've got me seeing through different eyes Somehow i've fallen under your spell And somehow I'm feeling It's up that I fell.
Every moment as long as mine I'll wake up my body And make up for lost time say there's no future for us as a pair and though I may know I don't care!
Just for this moment As long as your mine Come be how you want to And see how bright we shine
All around me are familiar faces Worn out places - worn out faces Bright and early for their daily races Going nowhere - going nowhere And their tears are filling up their glasses No expression - no expression Hide my head I want to drown my sorrow No tomorrow - no tomorrow
Children waiting for the day they feel good Happy Birthday - Happy Birthday Made to feel the way that every child should Sit and listen - sit and listen Went to school and I was very nervous No one knew me - no one knew me Hello teacher tell me what's my lesson Look right through me - look right through me
mad world, tears for fears ADAM LAMBERT sings... e arrasa!
se você acreditasse na minha brincadeira de dizer mentiras teria ouvido verdades que eu teimo em dizer brincando
eu menti pra você. eu sempre minto um pouco pra você. não dessas mentiras sérias que estragam tudo e com as quais é impossível conviver. não. não é nada de mau. mas eu não te digo toda a verdade. muitas vezes te dou respostas pela metade ou opiniões que não são exatamente o que eu penso. muitas vezes te faço perguntas ou repito conselhos que negam completamente o que eu de fato sinto. muitas vezes eu minto. pra você e pra mim. porque essas mentiras reforçam o que eu deveria sentir. e o que eu quero sentir. preciso me ouvir dizendo mil vezes certas coisas que te digo, para que se tornem verdade dentro de mim. preciso, e estou fazendo isso devagar, transformar as meias-mentiras em verdades inteiras. preciso. no fundo eu acho que você sabe. e entende. por isso não falamos nisso e seguimos com a nossa vida. aproveitando a parte boa do que é de verdade. porque não é também que seja tudo uma enganação. não. tudo que existe, existe. a mentira só entra no momento em que eu iria além. é aí que as mentiras me salvam. me salvam de um monte de coisas que não nos servem pra nada. me salvam de perder o que a gente constrói de bonito. de perder o que eu não trocaria nem por uma noite inteira das verdades que eu às vezes desejo. não. eu vou mentir até me convencer. e você vai me perdoar até se acostumar. e seremos felizes para sempre.
Because I'm truly Truly in love with you girl lionel richie a Menina escreveu em
21.4.09
a não ser que você se mate, mas mesmo assim ninguém garante
quando uma noite você se deita para dormir e pensa que nada mais faz sentido, esqueça, vire para o lado e durma. amanhã é outro dia. e não há como evitar.
se a gente não fosse a gente, talvez fosse diferente. se a vida fosse outra, e não esta. se a escolha fosse honesta. talvez acontecesse, talvez eu me deixasse ir além. se fosse alguém, não você. se fosse acontecer. se fosse possível. se eu não tivesse crescido. se você tivesse nascido antes. se por alguns instantes a gente pudesse esquecer. mas então, olha, eu vou te dizer: é tão gostoso assim. quando você olha pra mim é uma delícia viver. quando eu te olho de lado, um sorriso disfarçado, uma alegria engraçada, velada, calada e bonita. é tudo em quase nada. é essa coisa guardada que só a gente conhece. parece até que vai fazer mal, mas a gente é tão leal que não há o que temer. tem-se o que se pode ter: abraço, humor, cumplicidade e amor. seja como for é tão preenchido. talvez seja um desejo contido transformado em gentileza, tanto carinho, uma fortaleza. eu te protejo, você me alimenta. você me protege sem saber, me sustenta. eu te encho de atenção e mimo, não me canso. você devagar se aproxima e eu com prazer te alcanço. não te largo mais e assumo. e isso é só um resumo. o resto, deixa que amanhece, e então a gente esquece, e é feliz assim. só fica perto de mim. presente. e sente. se fosse diferente talvez não fosse tão lindo. findo. indo. sempre. a Menina escreveu em
14.4.09
ai que saudade a minha que saudade da nossa vidinha ai que saudade que às vezes me dá que vontade que vontade que vontade de chorar a Menina escreveu em
11.4.09
sexta-feira, 10 de abril de 2009
da série "se frustrar é viver" ou "uma faca no coração despedaçado" ou "de e-mails antigos e tristezas inevitáveis" ou "a idéia idiota de reler mensagens guardadas" ou "por que é mesmo que as pessoas se separam?" ou, enfim, "sexta-feira da paixão: um sofrimentozinho pra valer o dia"
quarta-feira, 3 de setembro de 2003 2:56:40
Acho que eu vou morrer de tanta saudade.
(...) E fico aqui pensando... Vamos fazer planos? Vamos colocar na nossa cabeça a idéia de ir pra Europa? De mochilão mesmo, com o intuito de passar uns meses e trabalhar por lá, e aprender coisas, e ver umas peças... Itália, Espanha, França, Inglaterra... Já pensou conhecer Paris ao lado de alguém que a gente ama? Deve ser um sonho! Eu nunca fui pra Europa e sou louca pra ir nesse esquema mochila nas costas e um mundo pra descobrir. Ultimamente eu ficava pensando "Ah, nem adianta juntar dinheiro porque não quero ir sozinha e não tem ninguém que me baste numa viagem assim, e que possa ir comigo". Agora tem você! A melhor companhia que eu poderia imaginar. Queria tanto que a gente pelo menos pensasse nessa possibilidade. E aí, devagarzinho, a gente vai vendo se quer mesmo, e como, e quando... e vai achando os meios, os caminhos, as soluções. Que cê acha? Como eu não tenho planos fixos pra depois que terminar a peça, e imagino que você também não tenha a não ser esse nosso trabalho provisório, sei lá, acho que é um momento ótimo pra pensarmos nisso. Eu te confesso que estou pensando, e realmente acreditando que daqui a um tempo poderíamos ir.
Está um frio terrível, e eu sinto demais a sua falta. Mas a minha mãe me deu um casaco preto lindo pra amenizar um pouco - o frio, não sua falta.
(...) A lareira tá acesa. Só falta você. Mas tudo bem, já já nos vemos.
If I were a boy Even Just for a day I'd Roll outta bed in the morning And throw on what I wanted then go Drink beer with the guys And chase after girls I'd kick it with who I wanted And I'd never get confronted for it Cause they'd stick up for me
If I were a boy I think I could understand How it feels to love a girl I swear I'd be a better man I'd listen to her Cause I know how it hurts When you lose the one you wanted Cause he's taken you for granted And everything you had got destroyed
If I were a boy I would turn off my phone Tell everyone its broken So they'd think that I was sleeping alone I'd put myself first And make the rules as I go Cause I know that she'd be faithful Waiting for me to come home
(...) E é paixão, paixão mesmo. Não é paixão romântica. É aquela paixão assustadora das torcidas, das multidões do futebol. Paixão quer dizer originalmente sofrer. Sabe? Paixão de Cristo, por exemplo. E como poderia ser de outra forma? Se todos os raciocínios, estratégias, táticas de jogo se revelam inúteis no fim das contas porque a substância que a gente ousa tratar aqui é "imaterial", é o afeto, é o subjetivo, as emoções.
(...) finge tão completamente que chega a fingir que é dor a dor que deveras sente. FernandoPessoa
estava tão desprevenida. não sabia. embora soubesse que ela vinha. estava completamente despreparada para o toque. e a comunhão. eu não sabia, mas estava tão profundamente desamparada, que aquilo me arrancou os nervos para fora. e fiquei lá, com o nervo exposto, chorando sangue, só. a imagem doce e forte daquela menina - disfarçada de outra - passando as mãos pelo meu rosto, acariciando a tristeza e a dor, ficou ali estampada nos meus olhos e eu não via mais nada. nada, a não ser ela, as mãos e o toque. tão perto. tão dentro. tão junto. o toque. o toque. o toque. e em mim todos os sentimentos do mundo. ali. a luz que vinha não era do fogo, nem da cruz: era ela. mas era outra. a mãe. a filha. aquela que não sabe nada, enquanto eu sinto tudo. me ajoelho no chão e tento me distrair. ou me concentrar. nada me salva. o nervo exposto e o toque me doem como o parto. o parto sem o filho depois. me enforco de ossos e os carrego como um fardo enquanto choro. e choro. e choro noite adentro, corpo adentro, a alma que me resta adentro. me dói o rosto, o coração. me dói o vazio. dentro. me dói o toque. que acaricia, que acolhe, que revela o tamanho do corte. enquanto você se afasta, me agarro ao instante - breve e enorme - de um toque. suas mãos e seu olhar de piedade e amor. e você nem sabe. aquela que não sabe nada. mas eu sei. e choro. no chão. no vazio. nos ossos. no toque.
eu pensei em mil possibilidades. pensei em ligar pra minha mestra e pedir uma opinião. pensei em procurar as frases grifadas nos meus livros antigos. pensei em escutar umas músicas específicas. pensei em inventar um novo amor. pensei em criar palavras. pensei em mentir alguma história interessante ou impressionante. pensei em fazer perguntas, lançar questões, expor problemas sem solução. pensei em montar uma lista de soluções genéricas para mil necessidades. pensei em fazer uma lista de necessidades. ou de sonhos. ou de metas. ou do que está porvir. (ah, sempre o porvir) e pensei em não pensar em nada. mas resolvi pedir um café. a Menina escreveu em
5.4.09
a HEART for RENT Live in my house, I'll be your shelter, Just pay me back WIth one thousand kisses Be my lover I'll cover you
Open your door, I'll be your tenant Don't got much baggage to lay at your feet But sweet kisses I've got to spare I'll be there and I'll cover you
I think they meant it when they said you can't buy love Now I know you can rent it A new lease you are my love, on life Be my life
Just slip me on, I'll be your blanket Wherever, whatever, I'll be your coat You'll be my King, and I'll be your castle No, you'll be my Queen, and I'll be your moat
I think they meant it when they said you can't buy love Now I know you can rent it A new lease you are my love, on life All my life
So with a thousand sweet kisses, I'll cover you With a thousand sweet kisses, I'll cover you When you're worn out and tired, When your heart has expired If you're cold and you're lonely You've got one nickel only With a thousand sweet kisses, I'll cover you With a thousand sweet kisses, I'll cover you
Oh, lover, I'll cover you,
I'll cover you, from RENT a Menina escreveu em
31.3.09
domingo, 29 de março de 2009
crucificação
o filho morreu na cruz e ela junta livros e ossos para fazer um altar no quarto do sanatório. hospício. instituição para doentes mentais. lá está ela juntando títulos e pedaços. Iesu, filho. há dois vestidos e um contorno de menino estirado no chão. há tinta vermelha, rosas com espinhos, uma coroa dourada e algumas velas. o filho nato e morto repousa em apenas dois retratos: um presépio e um crucifixo. meu filho. a idéia fixa que a trouxe aqui é a de que nada mais importa, o diário em branco. ela cobre as imagens do horror com o vestido imaculado que arranca de si durante a histeria. mas depois o recoloca e se distrai com a ilusão do lindo altar para o filho crucificado e salvador. de repente tem o susto de ver outra vez a verdade. mas quem fez isso, meu Deus? e a cena se repete no ciclo interminável da vida interna. interna. juntando livros, ossos, crimes e castigos. e penitência do que nem sabe. tem uma fé que pisca. Iesu. uma comédia. divina e trágica. de um sofrimento aterrador. o horror do filho na cruz faz dela uma repetição de insanidades. hospício. instituição para doentes mentais. e ossos. a Menina escreveu em
29.3.09
sábado, 28 de março de 2009
but I still haven't found what I'm looking for
é verdade. eu sou apaixonada por ela há anos. é uma idolatria bonita, pura, sublime eu diria. e queria poder amenizar aquela tristeza não sei de quê. nos olhos. na voz. na vida. eu queria ser parte de alguma alegria possível. mas me cabe ser platéia. então sou.
A dificuldade de encontrar, para poder exprimir, aquilo que no entanto está ali, dá uma impressão de cegueira. É quando, então, se pede um café. Não é que o café ajude a encontrar a palavra mas representa um ato histérico-libertador, isto é, um ato gratuito que liberta.
Clarice, em A Descoberta do Mundo a Menina escreveu em
26.3.09
era isso o que eu queria. isso. nesse momento em que vão todos embora e ficamos só nós. era exatamente isso o que eu queria. que você me olhasse e me deixasse te ver. e tocar. eu queria tocar a sua beleza. sem testemunhas. a Menina escreveu em
25.3.09
domingo, 22 de março de 2009
in the sky with diamonds
No one was saved. All the lonely people, where do they all come from? All the lonely people, where do they all belong?
a melhor frase da entrevista a Jay Leno! Obama says: "I do think in Washington it’s a little bit like American Idol, except everybody is Simon Cowell."
não se entregue. você sabe que é um instante e que o instante passa. já passou tantas vezes. você sabe, sim. portanto não esqueça nem por um minuto. não, não estava nos planos, eu sei. mas aconteceu. aconteceu. comemorações existem, famílias também, e saudade. você sempre soube. nunca deixou de sentir se pensar bem. e é no vai-e-vem de tudo isso que a gente caminha pra frente. acredite. não dá pra evitar. e, como você sempre diz, não dá simplesmente pra pular uma etapa. a vida traz e é isso. chora, pode chorar que ajuda. chora o que vier: filmes, idiomas, chuvas, cenas, palavras. chora mesmo, é uma dádiva. e suas palavras choradas normalmente são bonitas. então pelo menos não é em vão. a gente tem que se conformar, é isso. eu sei que você não se conforma, mas é isso e pronto. por que tanta surpresa, afinal? não há nada de novo, meu Deus. não fique aí se fazendo de vítima como se esse abalo repentino fosse assim inacreditável. não é que as coisas algum dia tenham sido diferentes. é que a gente vai vivendo e não fica pensando nas perdas o tempo inteiro. mas aí quando vem uma pancada dessas, tudo volta. é tão óbvio! inútil ficar tentando entender por quê. você tem todas essas respostas faz tempo. nasceu assim. isso é você e não é desta vez que vai ser diferente. menos ainda desta vez. essa gente, você sabe, vai estar aí dentro a vida inteira. e esta não vai ser a primeira nem a última vez que a coisa te pega de jeito. acostume-se de uma vez por todas, e aprenda. aprenda a lidar com menos dor. você sabe que dá. já tem aí cicatrizes antigas que não doem tanto. pois então tá na hora de cicatrizar essa turma toda também. eu não tô dizendo que é fácil, não se irrite. mas é preciso. você não pode ficar vulnerável a vida inteira... ficar caindo pelas tabelas a cada bofetada. não dá. já bastam os tombos inevitáveis, que virão, você sabe. já basta. e ninguém disse mesmo que ia ser fácil. entendeu, né? ótimo. a Menina escreveu em
17.3.09
segunda-feira, 16 de março de 2009
ela fala italiano
os olhos dela são grandes, negros e fortes. por dentro deles, a fragilidade da vida. há marcas pelo corpo e pela alma. quando a vejo, não sei o que vejo, mas sinto um universo a ser dito. ela me fala de coisas profundas e de vontades quase secretas. o passado duro. o presente bagunçado. mas o futuro há de vir feliz, ela acredita. e então quero falar eu, mas o relógio não deixa. a luta. lá vai ela para a luta que significa muito mais do que aquilo que se vê ou escuta. é a luta da infância massacrada. a luta com o homem mau que deveria ter sido o herói. lá vai ela, linda e forte, lutar contra o fantasma de dentro, que ainda aparece e machuca sem tocar. e lá vou eu, resignada, para a minha batalha tão menor, mas que me trouxe até ela. ainda não sabemos exatamente por quê. mas há um país inteiro que nos une. talvez dois. talvez muitos. não sei as razões de quase ninguém, mas já sei as dela, e agora é o que me importa. enquanto conserto meus passos, a vejo num esforço que me comove, me move, me conquista um sentimento bonito como uma dança. e então a vejo dançar e me rendo. ela sabe. me entrega esses olhos de longe e me testa. eu respondo. não escondo a invasão e o desejo de estar lá dentro no mesmo cenário. ao menos para fazê-la esquecer um pouco a violência. ao menos para lhe dar um descanso, uma alegria. ao menos para que ela descubra que existe a recompensa para tanta luta. ela não sabe. nunca viu. cansadas nos olhamos novamente sem dizer nada. mas eu digo. no abraço. e amanhã. a Menina escreveu em
16.3.09
domingo, 15 de março de 2009
É um espelho sem razão
hoje contei pras paredes coisas do meu coração passeei no tempo, caminhei nas horas mais do que passo a paixão amor I love you, arnaldo, marisa a Menina escreveu em
15.3.09
sábado, 14 de março de 2009
Valkírias
Eles não sabiam de nada. Dentro de nós a coisa se organizava em silêncio. Nem nós sabíamos exatamente o que estava por vir. Ah, sempre, o porvir. Sob os olhos de todos, a traição começava a se constituir e nada mais podíamos fazer para evitar. Não era planejado com requintes de crueldade. Jamais faríamos aquilo de caso pensado. Não, não havia sido sequer imaginado antes de nos darmos conta de que já estava acontecendo. Nem sei se merecíamos mesmo esse fardo, esse peso da traição. Nem sei se estávamos de fato traindo. Afinal, aconteceu assim, de um dia para o outro, no meio de uma respiração, sem aviso, sem prévia intenção. Estava lá de repente e eles não sabiam de nada. Em silêncio os exércitos da razão iam sendo vencidos, muitilados, destruídos, e o impossível se tornou inevitável. Houve luta, ainda, acredite. De ambas as partes houve uma luta calada para que tudo não saísse do será, mas sempre nos tomava as armas uma coincidência, um olhar cruzado, uma sugestão inacreditável, uma sorte qualquer indicando o caminho (errado). E, contra todas as certezas da loucura sem precedentes, nos rendemos ao não planejado - fadado ao fracasso e à morte por fuzilamento. Nos rendemos, cientes de que ainda que não fosse traição, nós sim nos trairíamos em algum momento. E aconteceu. Eles viram nos nossos olhos, no jeito de falar, no indisfarçável sorriso que o desejo escancara sob qualquer máscara. Não foi por precipitação ou ansiedade, porque nenhuma espera mudaria o fim da história. E depois que a bomba explodiu, não dava mais para desistir de ir em frente. O caso é que não queríamos matar ninguém. Mas eles não sabiam. E foram pegos em cheio pela explosão. Vida longa para quem? Será que teríamos sobrevivido sem viver isso? Nunca saberemos. a Menina escreveu em
14.3.09
"Mas eu sou inteiramente tragada pela pessoa que amo. Sou como uma membrana permeável. Se eu amo você, eu lhe dou tudo que tenho. Dou-lhe o meu tempo, a minha dedicação, a minha bunda, o meu dinheiro, a minha família, o meu cachorro, o dinheiro do meu cachorro, o tempo do meu cachorro - tudo. Se eu amo você, carregarei para você toda a sua dor, assumirei por você todas as suas dívidas (em todos os sentidos da palavra), protegerei você da sua própria insegurança, projetarei em você todo tipo de qualidade que você na verdade nunca cultivou em si mesmo e comprarei presentes de natal para sua família inteira. Eu lhe darei o sol e a chuva e, se não estiverem disponíveis, darei-lhe um vale de sol e um vale de chuva. Darei a você tudo isso e mais, até ficar tão exausta e debilitada que a única maneira que terei de recuperar minha energia será me apaixonar por outra pessoa. Não é com orgulho que revelo esses fatos sobre mim mesma, mas é assim que sempre foi."
Li hoje no blog da Beta, mas me lembrei de já ter lido antes e fui procurar. Achei. Foi no livro que devorei durante o primeiro mês na Itália, o óbvio e ótimo Comer, Rezar, Amar (principalmente o Comer).
Mas se você me perguntar, esse trecho aí, quem escreveu? eu diria: fui eu.
há dois dias eu choro. dessa tristeza calma, mas tão profunda que fica lá, latente. nada me distrai. há dois dias, dois anos inteiros de ausências irreparáveis me pesam no coração. e nada mais existe. por enquanto nada mais existe depois do que eu perdi há dois dias. porque a gente às vezes pensa que já deu o grande passo, antes de ter dado de verdade. e aí vem a surpresa amarga que derruba: lá estamos nós, ainda - sem estar. há dois dias a força se perdeu em fragilidade absoluta. desprotegida de um abandono sem cura, choro. ferida da exclusão do instante mágico, completo e sem possível repetição. despertencida. retirada do que havia de mais sublime no amor mais amado da união mais guardada na vida mais misturada quase de ter nascido junto na mesma família - e com o mesmo nome. despertencida. indesejada. recusada. há dois dias eu choro como jamais imaginei, depois de tanto tempo. porque depois de tanto tempo acho que ainda te ofereço, toda noite, aquilo que você não quer. e, há dois dias, pra mim não houve noite: fiquei lá, com um presente todo embrulhado em papel enfeitado nas mãos e não tive a quem dizer: tome, é seu, abra-o! des-per-ten-ci. há dois dias. e toda noite.
(como o copo de leite...) a Menina escreveu em
9.3.09
domingo, 8 de março de 2009
agora eu já sei por que a gente às vezes apaga o que escreveu
lembra aquilo que te doeu outro dia? pode desdoer. era só fantasia.
(ESTA PORTA FOI FECHADA) ...
I wanna know... have you ever seen the rain I wanna know... have you ever seen the rain Coming down on a sunny day
mais dias passarão, largos mas leves, eu sei. nada vai estragar a minha paz, da escolha certa.
meu corpo por um instante se esquece e vai, mas descubro logo o engano, entre a comédia e a luta.
inteira me liberto do que não é amor. liberto o pensamento, a fé e o coração. porque o que não é amor não me interessa.
lapido no espelho o rosto de antes. há luz, certeza e memória. e o brilho conhecido que me conduz. confio minha vida a quem amanhece: jamais ao cavalo do príncipe, jamais ao gato de alice.
as noites são minhas e preenchidas de futuro. e eu volto a respirar, depois do (falso) mergulho. a Menina escreveu em
7.3.09
sexta-feira, 6 de março de 2009
behind the mask
a covardia é a mãe da crueldade (montaigne)
o desamor é o pai da mentira (eu mesma, a trouxa da vez) (eu mesma, a trouxa da vez) (eu mesma, a trouxa da vez) (eu mesma, a trouxa da vez)
Não vá pensando que determinou Sobre o que só o amor pode saber Só porque disse que não me quer Não quer dizer que não vá querer. Pois tudo o que se sabe do amor É que ele gosta muito de mudar E pode aparecer onde ninguém ousaria supor. Só porque disse que de mim não pode gostar Não quer dizer que não tenha do que duvidar Pensando bem, pode mesmo Chegar a se arrepender. E pode ser então que seja tarde demais, Vai saber...Não vá pensando que determinou Sobre o que só o amor pode saber Só porque disse que não me quer Não quer dizer que não vá querer Pois tudo o que se sabe do amor É que ele gosta muito de se dar E pode aparecer onde ninguém ousaria se pôr. Só porque disse que de mim não pode gostar Não quer dizer que não tenha o que considerar Pensando bem, pode mesmo Chegar a se arrepender. E pode ser então que seja tarde demais, Vai saber... Vai saber... Vai saber...Não vá pensando que determinou Sobre o que só o amor pode saber Só porque disse que não me quer Não quer dizer que não vá querer Pois tudo o que se sabe do amor É que ele gosta muito de jogar E pode aparecer onde ninguém ousaria supor. Só porque disse que de mim não pode gostar Não quer dizer que não venha a reconsiderar Pensando bem, pode mesmo Chegar a se arrepender. E pode ser então que seja tarde demais...Vai saber, Adriana Calcanhoto, Marisa Monte a Menina escreveu em
4.3.09
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009
de prazos, desejos e sabedoria
um dia você vai ler isto e vai saber que estou falando pra você. (sic)
Triste não é mudar de idéia. Triste é não ter idéia para mudar.
o caso é que de uns oito anos pra cá, desde que consegui o emprego com que eu sonhava e depois que tomei a primeira e talvez maior rasteira da vida (a separação da primeira pessoa que mais amei), desde então, passei a não conseguir, ou nem querer, fazer planos a longo prazo. fatalmente parei de pensar nisso. desanimei. em quase tudo. é verdade que voltei a planejar uma história longa e projetos eternos por um tempo (quando conheci a segunda pessoa que mais amei na vida), mas então passou. e pronto. a idéia ou a preocupação com qualquer coisa que fosse acontecer no próximo mês já não fazia parte dos meus pensamentos diários. era hoje, amanhã, semana que vem no máximo. afinal, eu posso morrer na próxima hora, atropelada por carro ou por tiro. ou de uma súbita doença fatal. então, pra que planejar? sem planos para o próximo verão. sem estoque de suprimentos para o próximo inverno. sem norte, eu diria. mas tudo bem. sem traumas também.
então, um dia, você com a sua sabedoria de meses à frente diz pra mim uma coisa que me faz pensar: daqui a dez anos - caso eu ainda esteja viva - terei chegado lá sem nada OU com alguma coisa. esses dez anos vão passar de qualquer jeito: comigo ou sem mim. quero dizer, se eu andar para algum lugar ou ficar parada, se construir alguma coisa ou não, os dez anos terão passado. filosofia de botequim? talvez. mas me incomodou. e está aí o primeiro passo pra mudar um ciclo inútil. então pensei numa gaveta com as mesmas coisas de sempre ou então cheia de faixas coloridas. pensei em não saber nada ou numa arte aprendida, em metas constantemente buscadas e alcançadas. em maratonas corridas, em novas línguas faladas, no som de um instrumento saindo das próprias mãos, em uns lugares novos visitados. numa prateleira com mais coisas lidas do que só compradas. um filho feito, um livro escrito.
na sequência (até o trema mudou), não consegui evitar o auto-questionamento fatídico: mas pra quê? no entanto, desta vez, eu respondo para minha própria surpresa: porque sim. porque de repente faz sentido. porque eu devo estar ficando mais inteligente. porque eu não tenho nenhuma idéia melhor ou maior. e porque vai passar comigo ou sem mim. e eu quero que seja comigo.
e lá vou eu, e faço um absolutamente gigantesco plano incial de semanas, e então de meses a fio, que serão anos, e finalmente uma vida inteira. agora gosto de pensar nisso (ainda que um dia eu bata a cabeça e esqueça). gosto de pensar nisto: o enorme, desafiador e delicioso plano a longo (ou infinito) prazo.
simplesmente porque agora eu preciso que os dias passem, em vez de precisar passá-los. eu preciso ir até lá, em vez de poder ir ou não. eu preciso porque eu quero, em vez de tanto faz.
meu prazo de tanto faz venceu. graças a Deus. e a você. portanto, obrigada. PS: mas corra, senão vai comer pó.
Somente os muito sábios e os muito tolos não se modificam.
unidos da casa vazia acadêmicos do silêncio mocidade independente império de ninguém rosas de mentira nenê de quem? ai-ai a Menina escreveu em
20.2.09
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009
nas nuvens
te saber toda manhã é de repente o céu aberto subo no avião mas o vôo é te ter por perto pega minha mão não larga fica aqui olho pro lado finalmente te vi
os dias passam leves, largos de coisas boas. e eu respiro a paz de uma escolha bem feita.
meu corpo se contorce em artes: se descobre entre a comédia e a luta. liberto as mãos do que não é amor. liberto a boca, as horas e a espera. porque o que não é amor não me interessa.
lapido no espelho posturas e punhos. há luz, força e memórias recentes, mas já não há brilho que me tire do prumo. confio meus olhos a quem grita confiança, como o cavalo do príncipe ou o gato de alice.
as noites voam livres, preenchidas de palavras. e eu respiro. a Menina escreveu em
13.2.09
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009
agora é a indiferença de um perdão E "eu te amo" era uma farpa que não se podia tirar com uma pinça. Farpa incrustrada na parte mais grossa da sola do pé. Ah, e a falta de sede. Calor com sede seria insuportável. Não havia senão faltas e ausências. E nem ao menos a vontade. Só farpas sem pontas salientes por onde serem pinçadas e extirpadas. Nem mesmo a angústia. O peito vazio, sem contração. Não havia grito. Dor? Nenhuma. Nenhum sinal de lágrima e nenhum suor. Sal nenhum. Pensar no seu homem? Não, farpa na sola do pé. A dificuldade é uma coisa parada. É nessa hora que o bem e o mal não existem. É o perdão súbito, nós que nos alimentávamos da punição. Agora é a indiferença de um perdão. Não há mais julgamento. A urgência é ainda imóvel mas já tem um tremor dentro. Ela não percebe, a mulher, não percebe que o tremor é seu (...) Ela só percebe que agora alguma coisa vai mudar, que choverá ou cairá a noite. Mas não suporta a espera de uma passagem, e antes da chuva cair, o diamante dos olhos se liquefaz em duas lágrimas. E enfim o céu se abranda. Terchos de Calor Humano, em A Descoberta do Mundo, Clarice a Menina escreveu em
6.2.09
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009
ninguém
ninguém sabia as respostas. principalmente à noite. mas quando era dia, ela tinha certeza de que queria ir embora. porque ninguém vive só de noite. porque ninguém vive só de esforço. porque ninguém vive só de espera. porque ninguém vive só. a Menina escreveu em
5.2.09
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009
a minha escola não tem personagem, a minha escola tem gente de verdade
Mas não tem revolta não Eu só quero que você se encontre Saudade até que é bom Melhor que caminhar vazio A esperança é um dom Que eu tenho em mim Era uma brincadeira, Peninha a Menina escreveu em
4.2.09
Viver é foda Morrer é difícil Te ver é uma necessidade Vamos fazer um filme
E, hoje em dia, como é que se diz "Eu te amo"? E, hoje em dia, como é que se diz "Eu te amo"? E, hoje em dia, como é que se diz "Eu te amo"? E, hoje em dia, como é que se diz "Eu te amo"?
Eu te amo Eu te amo Vamos fazer um filme, Renato Russo a Menina escreveu em
3.2.09
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009
Nenhuma imaginação pode prever o que o povo pede a Iemanjá
Mi rubi l'anima, Laura Pausini a Menina escreveu em
1.2.09
quinta-feira, 29 de janeiro de 2009
quadrchalinha de aniversário
gol aos vinte e sete do primeiro tempo palmas, confete e asas ao vento a Menina escreveu em
29.1.09
e um recorte de jornal muito antigo achado no meio das coisas bem hoje
O mestre estava reunido com seus discípulos certa manhã, quando um homem se aproximou: "Existe Deus?", perguntou. "Existe", respondeu o mestre.
Depois do almoço, aproximou-se outro homem: "Existe Deus?", quis saber. "Não, não existe", disse o mestre.
No final da tarde, um terceiro homem fez a mesma pergunta: "Existe Deus?". "Você terá que decidir", respondeu o mestre.
"Mestre, que absurdo!", disse um de seus discípulos. "Como o senhor dá respostas diferentes para a mesma pergunta?"
"Porque são pessoas diferentes", respondeu o mestre. "E cada uma se aproximará de Deus à sua maneira: através da certeza, da negação e da dúvida." a Menina escreveu em
29.1.09
Gosto de pensar que é possível, sim, passar o resto da vida ao lado da mesma pessoa. Vivo acreditando nisso. Portanto se me apaixono por alguém com quem sinto que poderia ficar junto pra sempre, faço absolutamente tudo que posso para que dê certo. Faço o que tenho vontade, é verdade, porque eu tenho vontade mesmo de fazer aquela pessoa feliz o tempo inteiro.
Mas claro que o que eu acho que é bom pode ser péssimo pro outro e estragar tudo. Ou não. Ou simplesmente não importa o que eu faça porque não vai dar certo mesmo: porque ficar junto pra sempre não existe mais.
Então olho pra trás e vejo que já tentei tanto, já tentamos tanto, das formas mais bonitas e esforçadas que podem existir. Com as pessoas certas, com tudo certo. E, mesmo assim, acabou. Aí não sei mais o que pensar.
E nem sei por que escrevi tudo isso.
Mas eu ainda quero muito passar o resto da vida que me sobra ao lado da mesma pessoa. Sempre vou querer. Sempre vou querer.
Minha fé é incorrigível. a Menina escreveu em
20.1.09
domingo, 18 de janeiro de 2009
rescue me
é domingo de novo e nada poderia ser tão lindo quanto isto: a felicidade tem rosto, cheiro, gosto. fala e dorme comigo.
Come on, baby, and rescue me Come on, baby, and rescue me 'Cause I need you by my side Can't you see that I'm lonely
Rescue me Take me in your arms Rescue me I want your tender charm 'Cause I'm lonely And I'm blue I need you And your love too Come on and rescue me
(Come on baby) Take me baby (take me baby) Hold me baby (hold me baby) Love me baby (love me baby) Can't you see I need you baby Can't you see that I'm lonely
Rescue me Come on and take my hand C'mon, baby and be my man 'Cause I love you 'Cause I want you Can't you see that I'm lonely
Mmm-hmm (mmm-hmm) Mmm-hmm (mmm-hmm) Take me baby (take me baby) Love me baby (love me baby) Need me baby (need me baby) Mmm-hmm (mmm-hmm) Can't you see that I'm lonely
Rescue me, Fontella Bass a Menina escreveu em
18.1.09
E da paixão fez-se o pressentimento (ou O poema que se repete de repente)
e, com a licença poética de Vinicius, transformo, no soneto, o passado em presente:
De repente do riso fAz-se o pranto Silencioso e branco como a bruma E das bocas unidas fAz-se a espuma E das mãos espalmadas fAz-se o espanto.
De repente da calma fAz-se o vento Que dos olhos desfAz a última chance E da paixão fAz-se o pressentimento E do momento imóvel fAz-se o drama.
De repente, não mais que de repente FAz-se de triste o que se fez amante E de sozinho o que se fez contente.
FAz-se do amigo próximo o distante FAz-se da vida uma aventura errante De repente, não mais que de repente.
Soneto de separação, Vinicius de Moraes a Menina escreveu em
14.1.09
terça-feira, 13 de janeiro de 2009
pinceladas de um dia feliz como uma xícara de café: grande
grande. meu dia. ao seu lado.
van gogh. portinari. benedito calixto. marilia. teresa. família. jeremias. lázaro. trombetas de jericó. elevador. alças sofisticadas. fila que anda.
os olhos do branco. o branco dos olhos. a luz. a luz da tela. a sua luz. a luz dos meus olhos olhando pra você. suas costas. seus braços. seus ombros. a paisagem. a cabeça. o beijo.
zona azul. santa luzia. honey mustard. perguntas. respostas. indefinições. vontade. saudade. desprendimento. big brother. minha favorita. você me faz bem.
grande. meu dia. ao seu lado. a Menina escreveu em
13.1.09
Cada um sabe a alegria E a dor que traz no coração
É cedo ou tarde demais Prá dizer adeus Prá dizer jamais
Você apareceu do nada E você mexeu demais comigo Não quero ser só mais um amigo Você nunca me viu sozinho E você nunca me ouviu chorar Não dá prá imaginar quando É cedo ou tarde demais Prá dizer adeus Prá dizer jamais Às vezes fico assim pensando Essa distância é tão ruim Porque você não vem prá mim? Eu já fiquei tão mal sozinho Eu já tentei, eu quis chamar Não dá prá imaginar quando... - Titãs
PS: o filme é imperdível! a Menina escreveu em
12.1.09
domingo, 11 de janeiro de 2009
domingo pede cachimbo
eu tenho um sherlock que me descobre há dias. todo dia me descobre, me cobre, me ama. tenho um amor na mesa e na cama. e um futuro elementar, minha cara.
Eu preciso respirar O mesmo ar que te rodeia. E na pele quero ter O mesmo sol que te bronzeia. Eu preciso te tocar E outra vez te ver sorrindo E voltar num sonho lindo. Já não dá mais prá viver Um sentimento sem sentido Eu preciso descobrir A emoção de estar contigo. Ver o sol amanhecer E ver a vida acontecer Como um dia de domingo. - Gal
dois aniversários antigos de lembrar tantos dias de alegria e passado
os eternos (8) aniversários de algumas vidas que foram a Menina escreveu em
8.1.09
quarta-feira, 7 de janeiro de 2009
SETEDOUM
um aniversário novo de nascer todo dia de alegria e futuro
o primeiro aniversário de uma vida eterna que vem a Menina escreveu em
7.1.09
terça-feira, 6 de janeiro de 2009
sacanagem
eu brinco que é só sexo animal e amizade mas a verdade é que eu te amo pra caralho a Menina escreveu em
6.1.09
segunda-feira, 5 de janeiro de 2009
muito além do prazer
e então ele enfiou os dedos por dentro dos meus cabelos, me prendeu pela nuca com força e me trouxe pra perto. puxou a minha cabeça levemente pra trás e sussurrou no meu ouvido um monte de bobagens deliciosas. aproximou a boca da minha boca, me fez sentir a sua respiração quente, e me penetrou os olhos com um olhar de quem manda em mim e em tudo ao redor. devagar, sem soltar o meu pescoço, que ele tinha nas mãos, passou o outro braço ao redor da minha cintura e num tranco irresistível trouxe meu corpo pra junto do dele. assim, colado em mim e com o total controle dos meus movimentos, foi me levando pro quarto. escuro e fresco. gentil e dominador. e com uma firmeza quase violenta, mas embriagante, foi me deitando na cama e se deitando sobre mim. os dedos sob os meus cabelos, emaranhados, causavam uma dor leve e sedutora. ele tinha agora a minha cabeça inteira nas mãos e me roçou os lábios quase sem me tocar. eu tentei lamber-lhe a boca, mas ele me segurou com força e me fez entender que não. não era eu que decidia quando ou como. tentei falar qualquer coisa mas ele me repreendeu com um som curto e firme. por alguns segundos ficou me olhando na penumbra, de cima para baixo, esperando ter certeza de que eu sabia quem mandava ali. meu sorriso de cumplicidade deixou claro que eu sabia, sim. e deixou claro também o que eu queria, o que eu era, o que ele podia, o que nos unia. e então ele veio feroz, me beijou com força e doçura, antes de me amar a noite inteira e todas as noites seguintes. nunca mais me largou. nem a nuca nem a vida. era amor, desde o primeiro dia. e eu sabia. a Menina escreveu em
5.1.09
domingo, 4 de janeiro de 2009
Today's fortune
Nobody can go back and start a new beginning, but anyone can start today and make a new ending. a Menina escreveu em
4.1.09
e depois da bonança... a Menina escreveu em
2.1.09
quinta-feira, 1 de janeiro de 2009
o ano que eu não quero que acabe e que não vai acabar nunca
se eu não achasse que 2009 vai ser lindo, desejaria que este ano não acabasse mais. por milhares de razões. mas, principalmente, porque estes últimos dias de 2008 foram alguns dos mais felizes da minha vida. obrigada.
adeus ano velho, mas eu nunca vou te esquecer. e você nunca vai ficar velho de verdade. foi no 8 do infinito que eu pus a mala nas costas e fui conhecer o mundo. ou, pelo menos, um pouco dele. lugares sempre sonhados, desejos de liberdade, o desafio da solidão. mas a capacidade e a alegria de compartilhar tudo com qualquer pessoa, de qualquer lugar. diferentes mas iguais. foi no 8 do infinito que eu vi coisas jamais imaginadas, muito mais lindas do que eu poderia chegar perto de sonhar que fossem. foi no 8 que eu vivi coisas tocantes e transformadoras dia após dia. dentro, profundamente dentro de mim. foi em 2008 que uma nova etapa da minha vida começou. países, cidades, estradas, portas, janelas, e sol, sol, sol, sol. um ano inteirinho de sol.
e, de repente, quando a gente já nem pensa mais que o ano ainda pode trazer coisas importantes, até mais importantes do que milhares de sonhos realizados e milhares de descobertas, o susto delicioso, a grande viagem do ano: no 8 do infinito o meu coração se curou e encontrou de novo aquela felicidade sem palavras e sem tamanho que a gente só sente quando ama. quando se apaixona de verdade com amor. sublime. divino. em paz.
2008 foi um ano de alegria e paz. e termina com um amor gigantesco e lindo dentro da minha casa e da minha vida. dentro da minha alma e dos meus dias. dentro das minhas noites, das minhas madrugadas e das minhas manhãs. tão desejado, tão esperado, tão incrivelmente alcançado (porque é tão alto!), e livre. um amor essencialmente intangível (penso) mas com todos os toques que me enlouquecem de felicidade. os toques invisíveis, mas também os concretos, fortes, avassaladoramente perfeitos. um amor feliz e com força (hm). mas leve. você tem razão: leve.
e é com leveza, então, que 2009 chega feliz. branco, mas cheio de cor. novo e lindo. lá no alto, de mãos dadas, bem perto do céu, sob as luzes coloridas da chegada. lá no alto, num momento de agradecimento e comunhão divina, com seus olhos que falam. e sobre milhares de pensamentos. não foi isso que você viu? milhares de pensamentos... ao meu lado, o seu pensamento. o que mais importa. assim chega 2009 pra mim, com você pensando ao meu lado. só pensando. mas há muito sol! somehow.
(the best has been here lately. but the best is also and always yet to come)
obrigada, 2008. e que 2009 nos abrace, muito. muito.
só alguém muito bom mesmo poderia me dar de presente o presente que eu desejo no fundo da alma. mas juro que mesmo se eu ganhar esse presente, nunca vou ser dona dele, e vou continuar a desejá-lo todos os dias da minha vida, na alegria e na tristeza. não é nada que se compre nas lojas e acho que você também não conseguiria fazer na sua fábrica. é uma pessoa, meu velho. uma pessoa específica e especial. tão especial. eu queria de presente essa pessoa. você sabe quem é. sei que é meio egoísta da minha parte pedir isso porque estou pensando em mim e só em mim. mesmo com o mundo desabando e precisando de tantos presentes, e mesmo sem saber se a tal da pessoa gostaria de ser dada de presente pra mim. mas depois, eu prometo, prometo ser altruísta o resto da vida. com todas as minhas forças. pro-me-to. mas, bom, velhinho, voltando ao meu presente, era isso que eu queria, que essa pessoa que eu quero tanto me quisesse. que me queira. o presente que eu desejo, Noel, é que a pessoa que eu desejo deseje estar comigo. e pra sempre, se der. se-der. não sei qual o tamanho do presente que eu posso pedir, mas se puder ser bem bem grande, é isso, que seja pra sempre. tá? e depois, olha, depois não precisa mais me dar nada em nenhum natal porque tenho certeza de que eu já terei tudo de que preciso para ser feliz, feliz, feliz como os natais deveriam ser para todo mundo. para sempre.
obrigada. um abraço bem apertado. juli a Menina escreveu em
24.12.08
terça-feira, 23 de dezembro de 2008
I could write this but I won't
It hurts I'm sorry but I am sorry. I think I don't want it anymore. we always think we can I thought I could but I can't. I can't handle it. sometimes. I don't want it anymore. because I AM sorry. a Menina escreveu em
23.12.08
segunda-feira, 22 de dezembro de 2008
I hate to see you cry
I hate to see you cry Lying there in that position There's things you need to hear So turn off your tears And listen Pain throws your heart to the ground Love turns the whole thing around No it wont all go the way It should But I know the heart of life is good You know it's nothin new Bad news never had good timing Then the circle of your friends Will defend the silver lining Pain throws your heart to the ground Love turns the whole thing around No it wont all go the way It should But I know the heart of life is good Pain throws your heart to the ground Love turns the whole thing around Fear is a friend who is Misunderstood But the heart of life is good I know it's good
It's good to feel necessary... where the light is. how long she can go before she burns away? I'll never stop this train. I'd die if I didn't see you there. I've done all I can. now I'm free... free falling.
gravity is working against me. (and I was really defying gravity)
belief. I'm gonna find another you. a Menina escreveu em
21.12.08
bem lembrado
Eu queria trazer-te uns versos muito lindos colhidos no mais íntimo de mim... Suas palavras seriam as mais simples do mundo, porém não sei que luz as iluminaria que terias de fechar teus olhos para as ouvir... Sim! Uma luz que viria de dentro delas, como essa que acende inesperadas cores nas lanternas chinesas de papel! Trago-te palavras, apenas... e que estão escritas do lado de fora do papel... Não sei, eu nunca soube o que dizer-te e este poema vai morrendo, ardente e puro, ao vento da Poesia... como uma pobre lanterna que incendiou!
Eu queria trazer-te uns versos muito lindos, Mario Quintana
...
Eu queria trazer-te uns versos muito lindos... Trago-te estas mãos vazias Que vão tomando a forma do teu seio.
A Oferenda, Mario Quintana a Menina escreveu em
21.12.08
sábado, 20 de dezembro de 2008
um sábado depois do outro II
ela acorda. pensa. come um bis. se levanta. checa o telefone. um número desconhecido. talvez conhecido, mas perdido portanto estranho. não se importa. levanta. lava o rosto. escova os dentes. olha o espelho. pensa. sai do quarto de meias nos pés. desce as escadas e o chão está gelado. pensa. come um pedaço de pão. abraça as crianças. combina o cinema. brinca. brinca. brinca. não pensa em nada. brinca. ri. canta. dança. almoça. ri muito. toma banho. se veste. chama todos eles. entra no carro. aperta os cintos. conversa. ri. gargalha. estaciona. pensa. lembra. se obriga a esquecer. compra os ingressos. compra as pipocas. compra os refrigerantes. encontra a melhor amiga. sorri. entra. acomoda todo mundo. se acomoda. ri. ri muito. gargalha. chora. lembra. lembra muito. chora. ri. ri muito. gargalha. sorri. vai ao banheiro. entra na fila. compra os lanches felizes. organiza. come. espera. ri. limpa. encomenda um presente especial. segura as mãos pequenas entre os carros. entra. aperta os cintos. dá a partida. pensa. liga o rádio. lembra. da ré. engata primeira. pensa. canta. ri mais um pouco. desvia. abre o portão. estaciona. tenta escapar. não consegue. brinca. brinca. brinca. morre de cócegas. morre de rir. lembra. esquece. pensa que vale a pena, apesar de tudo que não tem. porque tem tanto. tanto. sorri.
e hoje também vale porque decidimos que vou mesmo viver lá, no apartamento dos meus sonhos, com as melhores energias do universo. indiscutivelmente faz valer tudo que está por vir. o porvir. a Menina escreveu em
20.12.08
sexta-feira, 19 de dezembro de 2008
de quando um momento único se repete
porque hoje, de novo, o mundo parou. quase o coração, de susto, não aguenta. mas a cabeça já não pensa e a razão se matou. é um monte de ilusão misturada em realidade. um delírio, uma insanidade, a inatingível visão. alucinação, presente, talvez fé. fé demais. e eu que tenho tantas palavras as perco, perco o chão, o discernimento, perco o limite da servidão. é um amor que se submete, arremete, e se me aniquila. não consegue ser diferente, então obedece e se disciplina. é um amor que não tem escolha, e mesmo sem ser, suporta. é uma porta pra algum lugar que só pode ser bonito e excelente. é o meu Jogo do Contente. porque o mundo pára. porque o mundo pára de repente. a Menina escreveu em
19.12.08
Você vai me seguir aonde quer que eu vá Você vai me servir, você vai se curvar Você vai resistir, mas vai se acostumar Você vai me agredir, você vai me adorar Você vai me sorrir, você vai se enfeitar E vem me seduzir Me possuir, me infernizar Você vai me trair, você vem me beijar Você vai me cegar e eu vou consentir Você vai conseguir enfim me apunhalar Você vai me velar, chorar, vai me cobrir e me ninar
eu nÂo sei se vou te amar amanha~, vocÊ nao sabe se vai estar aqui no meu aniversÀrio. eu n~Ao sei se nos encontraremos no anoo que vem, voc^e nnaõ sabe se vai trabalhar nos mesmos horÀ´rios. ela nNão sabe se vocE^ vai suportar muito tempo, voc~^E tambbém nNao sabe se vai continuar esperando. eu Não sei aonde seremos felizes, ela nao~ sabe se fez bem em viajar. voce^ n~ão sabe se um dia vai sentir a minha falta, nem eu sei se quero que vocÊ sinta (muito). porque eu nÃO sei se e´ bom perder a ilus~ao, e ela também na~o sabe se seria bom n~a!o ter perdido. vocE^ nN~ao sabe o efeito da aus~ência das palavras, e eu ñao sei usar este teclado. a Menina escreveu em
15.12.08
domingo, 14 de dezembro de 2008
por favor, senhor Deus, melhora pra mim na próxima, vai...
bode: sm 1 Ruminante cavicórneo, macho da cabra. Estar de bode amarrado: estar aborrecido, contrariado, zangado.
individualismo: sm 1 Posição de espírito oposta à solidariedade. 2 A capacidade de poder existir separadamente. 3 Existência individual. 4 Teoria que fez prevalecer o direito individual sobre o coletivo.
idiota: adj+s m+f (lat idiota) 1 Falto de inteligência. 2 Estúpido, parvo, pateta. 3 Ignorante. 4 Med Doente de idiotia. 5 Psicol Pessoa com nível mental a um quinto, ou menos, do nível normal do grupo de idade cronológica a que pertence.
idealismo: sm 1 Tendência para o ideal. 2 Devaneio, fantasia. ideal: adj (baixo-lat ideale) 1 Que existe apenas na idéia. 2 Imaginário, fantástico, quimérico. 3 Que reúne todas as perfeições concebíveis e independentes da realidade. sm 1 Aquilo que é objeto de nossa mais alta aspiração. 2 O modelo idealizado ou sonhado pelo artista. 3 Perfeição. 4 Sublimidade.
romântico: adj 2 Próprio de romance; fantasioso, fictício, imaginário. 6 Que se imagina herói de romance; lírico, piegas. romance: 4 Enredo de coisas falsas ou inacreditáveis. 5 Conto, fábula. 6 Urdidura fantástica do espírito; fantasia. 7 Objeto ou fato real, mas que tem o que quer que seja de fantástico, de inacreditável.
cacholeta: sf (cachola+eta) pop 1 Pancada na cabeça com a mão ou com vara. 2 Ofensa. 3 Censura.
estou de bode do mundo. porque cada um só pensa em si e eu sou uma idiota idealista e romântica que continua pensando nos outros. e só levo cacholeta.
(mas a sapatada que o jornalista iraquiano mandou no FDP do GB valeu o dia!)
Era uma senhora elegante. Estava sentada na poltrona do café e me olhou assim que entrei. Baixa e gorducha. De pernas grossas e quadril largo. Como todas essas senhoras desse tipo. Cabelos curtos e brancos. Com um brilho particular - ela e os cabelos, visivelmente arrumados num cabeleireiro chique. Mas chique mesmo, na medida. Ela não era, nem por um detalhe, exagerada. Nada daquelas libanesas descabidas que jogam tranca no salão de jogos do meu clube. Era simples até, de tão sóbria e elegante, apesar do laquê. E sorria. Sorria para mim, vi logo. Eu não a conhecia, mas ela sorria para mim antes mesmo de eu cruzar a porta de entrada. Pedi um expresso americano doppio, na xícara grande que eu prefiro, uma garrafa de água sem gás, e me sentei. No mesmo instante, ela, xícara - grande também - nas mãos, se sentava ao meu lado. Não a vi levantar, não a vi caminhar, não a vi ir se chegando: ela brotou, de um segundo para o outro, ao meu lado. - Como vai? - Vou bem, e a senhora? - Poderia estar melhor, ela disse com um meio sorriso. Eu ri. - Eu também, respondi. - Eu sei, disse ela. Levantei as sobrancelhas em interrogação, sem saber exatamente se queria continuar aquela conversa. Sou de conversa, sim, e muito, mas nem sempre me agradam pessoas estranhas que tentam dizer soluções para a minha vida incerta. Ou que acham que sabem de mim sem me conhecer. Também não sou daquelas que se fecham imediatamente. E ali existia uma estranheza que ao mesmo tempo me afastava mas me atraía. - Sei bem, ela repetiu, enfática no bem. - Por isso é que vim até aqui falar com você. - Como assim a senhora sabe? Ela se acomodou na cadeira, pegou a xícara grande, fez que ia tomar mas desistiu por alguma razão, se ajeitou como se aquela nossa conversa fosse durar anos. Levantou as sobrancelhas exatamente como eu, soltou um som daqueles que fazemos com a garganta para concordar com alguma coisa que não tem jeito, e respirou fundo. - Quando eu tinha a sua idade, começou a dizer sem me olhar, eu esperava. Assim mesmo ela disse "eu esperava" e ponto final. Depois de uma longa pausa, perguntei: esperava o quê? - Esperava, ela disse simplesmente. - Sentava num café, como estamos fazendo agora, e esperava. Ia ao cinema e esperava. Trabalhava - vezes muito, vezes pouco, vezes demais - e esperava. Amava a minha família e esperava. Tinha idéias, planos, amores, dores, e esperava. Estava sempre esperando. - Mas o quê?, eu insisti. - Não sei, ela disse. É por isso que estou aqui até hoje, com a xícara grande na mão, e esperando. Mas agora que você entrou, eu entendi. Eu estava esperando por você. Ela falava de um jeito que eu não conseguia nem interromper, nem achar que ela era louca, nem nada. Eu escutava e mais nada. Eu escutava e ficava esperando o que vinha depois. Eu esperava. Ela então se levantou e a passos curtos e lentos foi andando em direção à porta, saiu e se foi, sem olhar para atrás. A xícara dela ficou. Não pude deixar de notar que não tinha nada dentro. Estava vazia. Vazia e limpa. Nunca teve café ali. A xícara esperava também, pensei, alguém que lhe servisse alguma coisa.
O que aprendemos com isso? Nada. a Menina escreveu em
13.12.08
um sábado depois do outro
um sol depois do outro uma lua depois da outra um amor depois do outro uma rua depois da outra um filme depois do outro uma depois da outra a Menina escreveu em
13.12.08
sexta-feira, 12 de dezembro de 2008
arirarara
hoje, de repente sem razão aparente me deu uma saudade de você e eu
mas saudade diferente de coisa que a gente nunca viveu
uma outra coisa sempre amada de mim no meio do que hoje sou e sinto
o que falta está onde sempre esteve: dentro. o que falta é o que você pensa quando não pensa em nada. o que está lá, mesmo sem estar. o que jamais vai faltar quando você realmente precisar. o que falta é sempre a mesma coisa quando escurece, sob o céu, sob a chuva, sob o sol, sob todo ponto de luz. na escuridão falta tudo. mas só parece que falta porque a gente não enxerga no breu. no escuro do caminho inevitável, a gente não vê nada. não vê o que há e o que existe para além da falta. porque o que falta também faz parte do caminho. que leva não se sabe para onde, mas é sempre para dentro antes da próxima parada. antes de clarear e ficar claro que o que falta é um pouco todo dia. ou toda noite. falta um pouco acreditar que há mais força do que fragilidade. falta acreditar na montanha. você falta em você. falta você. o que falta está onde sempre esteve: dentro do espelho. o que falta é exatamente o que não falta.
(...) Amor é o que se aprende no limite, depois de se arquivar toda a ciência herdada, ouvida. Amor começa tarde. de Amor e Seu Tempo, Drummond
enquanto você dorme, eu penso. penso na quadrilha. em vocês, em nós. em nada. em tudo. enquanto você dorme, tudo acontece dentro de mim. há calma, sim, mas me maltrata uma ansiedade insistente. não sei de quê exatamente. porque quase acho que não existe nada além do que eu invento. e da quadrilha. há paciência, sim, mas em um turbilhão. de vontades e desejos e calafrios. enquanto você dorme, me dou conta de que, dentro, sonho e me contradigo. porque a quadrilha me mata às vezes. e quando estou acordada não consigo evitar a espera do fim de tarde, e a ausência dolorida de tudo que eu agora já conheço e ainda quero. e tenho medo de querer não querer mais (se doer). me cubro de medos enquanto minhas mãos não te cobrem as costas. durmo entre palavras enquanto não durmo ao teu lado. tento acreditar, ainda que a falta de fé me tente. sempre por causa da quadrilha. e da armadilha de todas as tardes. enquanto você dorme, eu penso. penso em todos os lugares onde não estou. temo não estar nunca. penso. penso nessa terra onde piso - durante a quadrilha: wonderland? waterland? disneyland? ne-ver-the-land?
enquanto você dorme, eu caminho de pés descalços e esquento minhas mãos.
Sometimes I wonder Where I've been Who I am, do I fit in? Make-believing is hard alone Out here, on my own We're always proving Who we are Always reaching For that rising star To guide me far And shine me home Out here on my own When I'm down and feeling blue I close my eyes so I can be with you Oh, baby, be strong for me Baby, belong to me Help me through Help me need you Until the morning sun appears Making light of all my fears I dry the tears I've never shown Out here on my own
Sometimes I wonder Where I've been Who I am, do I fit in? I may not win But I can't be thrown Out here On my own
acho que eu sempre digo pra ela que tudo se repete. e de tanto eu repetir que tudo se repete, ela me pediu para pensar nas repetições. as repetições da vida, quero dizer. da minha vida. e da sua talvez. as repetições das culpas, dos erros, das expectativas, das decepções. dos amores. principalmente dos amores. das dinâmicas repetidas dos amores repetidos. e então eu me lembro que desde pequena tudo se repete. as figurinhas repetidas que eu nunca conseguia trocar e que sempre vinham aos montes aumentar os meus montes. os times repetidos, as notas repetidas, as dúvidas repetidas. as manhãs, as tardes, as noites, os finais de semana repetidos. e então as amigas preferidas, as que eu sempre queria que se repetissem. os vestidos repetidos nas festas de quinze anos repetidas. os reveillons repetidos. as angústias repetidas. os casamentos, os altares, os filhos repetidos. e, em mim, as paixões, as esperas, as alegrias, os medos, tudo repetido. a ansiedade, a dedicação, a abdicação, a disponibilidade, a frustração. que se repete, se repete, se repete. as conversas, as histórias, as lembranças, as esperanças. sempre repetidas. as dores se repetem, as cores se repetem. a falta se repete. a vida, a cada nova tentativa, se repete. e o cansaço das repetições se repete, incansável. só da morte não sei: se repetirá? saberei. repito: saberemos. a Menina escreveu em
5.12.08
quinta-feira, 4 de dezembro de 2008
quatro de dezembro de dois mil e oito
aniversário de 13 anos do sobrinho mais velho. os pais comemoram 46 anos de casados (55, com os 9 de namoro). são também 46 anos da morte do avô, que obviamente ela nem conheceu. (sim, ele morreu ali, no dia do casamento da filha - a mãe dela -, logo depois de levá-la ao altar).
mas ela, aos 34, não tem nada de realmente importante para relatar neste 4 de dezembro.
e, admitamos: chove. nem se sabe bem por quê. (mas chove muito, muito além das desgraças alheias) a Menina escreveu em
4.12.08
quarta-feira, 3 de dezembro de 2008
eu só quero saber do que pode dar certo não tenho tempo a perder
(mas a verdade é que nada disso importa. porque chove e as pessoas perdem a vida e tudo. e eu, por mais que faça, não posso fazer nada. e choro por ser impotente sempre diante da tragédia alheia - e tão profundamente minha. tão profundamente minha.)
não tem jeito, ela vem. de repente ela vem. no meio do nada. como uma piada de mau gosto, ela vem. por um sorriso não dado, por uma chave esquecida, por um telefone perdido ou um desejo desperdiçado. ela vem. ela volta. porque é segunda-feira ou porque é um domingo vazio. porque passou um aniversário e você não lembrou ou porque falou demais, tá lá, ela, de volta. você liga o rádio no carro pra tentar se distrair, mas é pior: ela já está nas melodias e nas letras. quanto mais alto você canta, mais ela te invade. porque o sinal fechou, porque abriu, porque nem era pra você ter saído de casa hoje. e quando você volta, ela já se instalou no seu quarto, deitou na sua cama e vai dormir com você. não tem jeito, a tristeza vem.
(se ela não te derrubar durante a noite, que bom, porque você PRECISA acordar amanhã) a Menina escreveu em
1.12.08
domingo, 30 de novembro de 2008
mas então amanheceu
já era tarde quando ela acordou. sentiu-se estranha ao abrir os olhos e sabia que alguma coisa estava diferente. essa é uma das sensações na vida que ela mais teme (e se repete, de tempos em tempos, inevitavelmente): a sensação do amanhecer diferente quando o diferente significa que levaram dela algo de muito importante. mas, então, amanheceu. e o primeiro pensamento de todas as manhãs não estava mais lá. se perdera. se perdera assim, casualmente, como ela se perde de vez em quando por ruas desconhecidas tentando voltar pra casa. foi daquele jeito. acelerando o carro e dobrando as esquinas, tranquila, querendo acreditar que estava no caminho certo. mas não. era para o outro lado. e ela se dá conta tarde, na maioria das vezes. tarde para chegar na hora exata. tarde para dar tempo. tarde para evitar a sensação temida. da perda, enquanto amanhece.
(e aí, ela sabe, não tem outro jeito a não ser respirar fundo, aumentar o som, e tentar achar um retorno. mas o retorno da metáfora nem sempre existe.) a Menina escreveu em
30.11.08
sábado, 29 de novembro de 2008
as três paradas
há dias em que não há o que dizer, ela pensou, sozinha no quarto. sabendo que jamais esqueceria aquela noite. sabendo que jamais esqueceria. a Menina escreveu em
29.11.08
quarta-feira, 26 de novembro de 2008
o milagre dos dois abraços
quando eu nasci, já sabia, mesmo sem saber nada. tudo isso já ia acontecer, é a estrada. porque antes de nascer, eu escolhi: primeiro o mundo vai parar, depois virão dois abraços, e então o amor que dá sentido aos passos.
eu amo seus olhos, sua boca, seu sorriso, seu jeito de andar. eu amo a sua voz, o seu discurso, as suas mãos e os seus braços. eu amo seu cheiro, seu perfume, suas histórias. e seus abraços.
quando nasci, eu já sabia. mesmo sem saber nada. é a estrada. a Menina escreveu em
26.11.08
o sonho sonhado
depois de tantas noites sem te achar no sonho depois de ficar acordada pra não te perder na madrugada finalmente você veio me ver essa noite eu sonhei com você essa noite eu sonhei com você
deve ser o universo cuidando de mim. a Menina escreveu em
26.11.08
domingo, 23 de novembro de 2008
alívio
o que alivia é a certeza de que seja como for seremos felizes. o que alivia é falar de amor com a paz dos sentimentos divinos. o que alivia é saber que nada abala o que já se tem de lindo e de verdade. o que alivia é a beleza do que se construiu além dos pés no chão. o que alivia é o olhar calmo para o que pode vir de novo. o que alivia é não ter pressa de colher os frutos que crescem saudáveis. o que alivia é plantar as flores e vê-las mais bonitas a cada dia. o que alivia é o sorriso perfeito que transforma nada em tudo. o que alivia é o tempo que cura toda a dor. o que alivia é o amor. o que alivia é o meu amor. a Menina escreveu em
23.11.08
sábado, 22 de novembro de 2008
bem aventurados os anjos que amam (ou que sonham)
- é ela, disse a moça de olhos ainda pintados, apresentando a sua menina dos olhos.
todas as outras que olhavam puderam ver que o sorriso da moça ao dizer é ela se abriu escancarado como girassóis ao sol. ela esperara por aquele momento como quem espera um filho, tamanha a alegria que lhe invadia quando imaginava a possibilidade.
sim, ela esperava por aquele momento, e já não podia mentir para si mesma como se o amor fosse inventado. não era. pelo menos o que ela sentia não era mesmo inventado. era uma das coisas mais lindas que já sentira na vida inteira. e estava ali. o coração batia disparado e agora um monte de outros olhos viam. não era uma ilusão. embora pudesse ser ainda - e ela sabia - apenas um desejo profundo que jamais se tornaria realidade. mas existia.
ela estava ali e todos a viam com a sensação contida da descoberta de um mito, de uma miragem, de um grande amor anunciado e até então sem rosto, sem cheiro, sem gosto, sem a noção real do tamanho do brilho daquele rosto. e a moça sentiu um prazer tão indescritível e sublime em tê-la ali no seu mundo, que quis congelar aquele momento e viver nele para sempre - quase se esquecendo de que quer e precisa de mais do que só aquilo.
e, então, depois de ver quemela é, todas compreenderam o amor avassalador. e também a amaram.
pois desta vez eu quero o poema um pouco ao contrário: que eu possa tocar o que fique.
(...)
As coisas tangíveis tornam-se insensíveis à palma da mão
Mas as coisas findas muito mais que lindas, essas ficarão
porque enquanto eu não sei do teu abraço te falo no silêncio dos dias sem palavras te penso nos instantes de certeza adolescente te amo, incansável, em cores reluzentes. a Menina escreveu em
19.11.08
terça-feira, 18 de novembro de 2008
amor perfeito
Flores para quando tu chegares Flores para quando tu chorares Uma dinâmica botânica de cores Para tu dispores pela casa
Pelos cômodos, na cômoda do quarto Uma banheira repleta de flores Pela estrada, pela rua, na calçada Flores no jardim Pétalas ao vento, para tu contares Para além dos nomes, que possam dizê-las Flores pra compores Metáforas antes de comê-las
Para quando tu chegares Flores para quando tu chorares Uma dinâmica botânica de cores Para tu dispores pela casa
Pelos cômodos, na cômoda do quarto Uma banheira repleta de flores Pela estrada, pela rua, na calçada Flores para mim Flores pros meus braços Ofertá-las para parabenizar-te Flores quantas flores, forem necessárias Pra perguntares: pra que tantas flores!
para quando tu chegares. para quando tu chorares.
Flores, Zélia Duncan a Menina escreveu em
18.11.08
Quero crer que creio E finjo e creio Que mundo e ego Ambos São teatros Díspares E antípodas.
Absolutos que se refratam / difratam… Espelhos estilhaçados que não se colam.
Entanto são Ecos de ecos que se interpenetram Partículas de ecos ocos, partículas de ecos plenos que se conectam Aí cosmos são cagados, cuspidos e escarrados pelo opíparo caos E o uso do adjetivo está correto Pois que o caos é um banquete.
Fantasmas de óperas. Ratos de coxias. Atos truncados.
Há uma lasca de palco em cada gota de sangue em cada punhado de terra de todo e qualquer poema.
SAVE THE LAST DANCE FOR ME You can dance-every dance with the guy Who gives you the eye,let him hold you tight You can smile-every smile for the man Who held your hand neath the pale moon light But don't forget who's takin' you home And in whose arms you're gonna be So darlin' save the last dance for me
pra você se achar aqui neste dia, se um dia ler isto. (já que a sua memória não funciona muito bem!) a Menina escreveu em
9.11.08
sábado, 8 de novembro de 2008
a dor da mulher da minha vida
será que a gente apaga o que escreve porque quer apagar o que sente?
funciona?
ou a gente só pensou que sentia, por um lapso do coração?
depois de tanto tempo ainda me dói saber que a mulher da sua vida não sou mais eu, sabia? a Menina escreveu em
8.11.08
sexta-feira, 7 de novembro de 2008
seu casaco ficou comigo porque eu insisti
mas mesmo assim eu não te aqueço. o tem-po-pas-sou, não nos parecemos mais. nas fotos, veja, não nos parecemos mais. não nos parecemos nem um pouco. embora sejamos iguais ainda, as mesmas. as mesmas músicas, os mesmos gostos, o mesmo nome sem cura. não nos parecemos mais. não nos encaixamos mais. você ama outra pessoa. eu também. mas aquela coisa está lá. e nunca saberemos por quê. talvez nunca saibamos. talvez nunca mais. e ainda bem que eu consigo dormir porque essa coisa não tem remédio. talvez porque você seja linda, mesmo sem rir como antes. talvez porque eu sempre te ame. mesmo sem amar como antes. porque é você. seja como for. ou talvez nada além de uma saudade enorme.
o seu casaco, porque eu inisisti, ficou comigo. mas insistir, eu já aprendi, não serve pra nada.
- A pessoa por quem você está apaixonada não existe. É uma invenção. - A pessoa por quem a gente se apaixona é sempre uma invenção. Romance, um filme de Guel Arraes a Menina escreveu em
6.11.08
quarta-feira, 5 de novembro de 2008
as outras
eu me deito e tento. tento sonhar com você pra saber como é pelo menos no sonho. mas não consigo. sonho com elas a noite inteira. as outras. sonho com elas enquanto te procuro por todo o sonho. pelas ruas imaginárias das cidades inventadas. pelos restaurantes com banheiros escondidos. pelas portas secretas onde se trocam moedas. pelos botecos onde os amigos que nem cantam, cantam. até dentro da minha própria casa de miragem eu te procuro. quem sabe. mas não, você não aparece. você só existe na vida real. do outro lado da ilha.
eu acordo e tenho que passar o dia convivendo com isto: sua ausência no sonho. fácil não é. mas sempre há alguma beleza no amor. e há sol por toda a ilha. (até nelas). a Menina escreveu em
5.11.08
terça-feira, 4 de novembro de 2008
Ela
e embora Calvin e Haroldo digam aí em cima que não vão a lugar nenhum - e eu tente me consolar com uma história em quadrinhos -, sim, as pessoas morrem. vão mesmo. deixam de estar aqui fisicamente. não podemos mais vê-las bem de perto, tocar, ouvir a voz ou as histórias, sentir o cheiro e a respiração. não podemos mais abraçar.
ela chega de novo e mais uma vez temos que lidar com esse maldito sentimento - ou seria uma emoção, hein? - da perda. a dor da perda. a falta. a implacável certeza de que amanhã aquela pessoa não vai acordar, não vai estar, não vai. foi. certeza. irreversível.
e quando alguém morre, alguém que de alguma maneira é uma peça do quebra-cabeças que forma a sua vida, você se pega assistindo dentro dos próprios olhos ao filme de tudo que já fez, e sem poder evitar repete as perguntas de para onde vamos? por que as coisas acontecem assim? como aceitar? como seguir?
e lá, entre pais, tios, primos, irmãs e irmãos, amigos da vida inteira, a infância inteira, as pessoas que sempre estão, nos casamentos e nos velórios, nas platéias dos seus teatros, e onde você precisar. lá, entre todas essas pessoas, você se paralisa no meio da tristeza e da impotência, e se detém, por intermináveis minutos de vigília, olhando para tudo e todos, com a questão tatuada na testa: será que eu estou fazendo certo? essa vida, quero dizer, será que eu estou vivendo direito? será que é assim?
a resposta não existe. mas ela, indiferente, vai continuar vindo e levando as pessoas que você ama. ela vai continuar vindo e te lembrando de se perguntar de tempos em tempos se isso está valendo a pena do jeito que você está fazendo.
ela vai continuar vindo e te fazendo pensar se você está perto, bem perto, muito perto, das pessoas de quem mais sentirá falta quando forem embora com ela.
ela vai continuar vindo para que você questione as suas escolhas. para que você MORRA de medo de estar simplesmente fazendo tudo errado. a Menina escreveu em
4.11.08
domingo, 2 de novembro de 2008
dia dos vivos
If you don't know how to take care of something, you don't deserve to have it.
quando vejo essa lente nesse retrovisor na minha parede, me dá uma saudade. de você, da menina verde, da sede debaixo de todo aquele nosso sol. das ruas da sua cidade, dos nossos caminhos, da nossa cumplicidade. sabe?
aMelhorAtrizdoMundo To be in Meryl's presence is to be on the receiving end of how far she goes in her exploration of the human experience. By putting life before art, Meryl Streep has made the choice of a trailblazing pioneer, and in the process she became my generation's genius. Thank you for giving me the opportunity to recognize the inevitable: giving love is the true measure of a great artist. - diane keaton
I highly recommend having Meryl Streep play you. If your husband is cheating on you with a carhop, get Meryl to play you. You will feel much better. If you get rear-ended in a parking lot, have Meryl play you. If the dingo eats your baby, call Meryl. She plays all of us better than we play ourselves, although it's a little depressing knowing that if you went to audition to play yourself, you will lose out to her. Some days, when I'm having a hard day, I'd call up Meryl and she'll come and she'll step in for me. She's so good, people don't really notice. I call her at the end of the day and find out how I did, and inevitably it's one of the best days I've ever had. - nora ephron
I don't wanna talk 'cause it makes me feel sad but I understand You've come to shake my hand I apologize If it makes you feel bad Seeing me so tense No self-confidence But you see The winner takes it all The loser has to fall Its simple and its plain Why should I complain
But tell me does she kiss Like I used to kiss you? Does it feel the same When she calls your name? Somewhere deep inside You must know I miss you But what can I say Rules must be obeyed.
Uma vez eu tive uma ilusão E não soube o que fazer Não soube o que fazer Com ela Não soube o que fazer E ela se foi Porque eu a deixei Por que eu a deixei? Não sei Eu só sei que ela se foi. Mi corazón desde entonces La llora diario No portão Por ella no supe que hacer Y se me fue Porque la deje Por que la deje? No sé Solo sé que se me fue. Sei que tudo o que eu queria Deixei tudo o que eu queria Porque não me deixei tentar Vivê-la feliz. É a ilusão de que volte O que me faça feliz Faça viver Por ella no supe que hacer Y se me fue Porque la deje Por que la deje? No sé Solo sé que se me fue. Sei que tudo o que eu queria Deixei tudo o que eu queria Porque não me deixei tentar Viver-la feliz Sei que tudo o que eu queria Deixei tudo o que eu queria Porque no me dejo Tratar de ser la feliz Porque la deje Por que la deje? No sé Solo sé que se me fue. / ilusion, julieta venegas e marisa monte ...
- tchía, quando eu fôr morá no brasil, fô durmí na sua cassa todu dchia. e quando cê morrê, eu nun fô comprá uma cassa, fô morá na sua, táá?! . a Menina escreveu em
22.10.08
das intermitências da memória da minha sobrinha
daí eu chego aqui e essa menina fica perguntando sobre pessoas, pedindo pra mandar beijos e telefonar para quem já se foi, cantando arararira o dia inteiro na minha cabeça, e querendo saber se eu vou ter filho (porque ela não quer me dividir).
Amor, meu grande amor Não chegue na hora marcada Assim como as canções Como as paixões E as palavras... Me veja nos seus olhos Na minha cara lavada Me venha sem saber Se sou fogo Ou se sou água...
Amor, meu grande amor Me chegue assim Bem de repente Sem nome ou sobrenome Sem sentir O que não sente...
Amor, meu grande amor Só dure o tempo que mereça E quando me quiser Que seja de qualquer maneira... Enquanto me tiver Que eu seja O último e o primeiro E quando eu te encontrar Meu grande amor Me reconheça...
amor meu grande amor, angela roro a Menina escreveu em
21.10.08
das intermitências da morte
teu nome no remetente me arranca a idéia de morte. tuas palavras infantis riscam de cor e alegria os cortes. tuas mãos nos meus pulsos frágeis me socorrem a renúncia. teus olhos sempre certos me abrem o sol, o sal, o salto. a Menina escreveu em
21.10.08
será que eu te inventei? foi nisso que pensei o dia inteiro queria te escrever um galanteio, o poema perfeito seria você o sujeito com milhares de adjetivos
será que eu te criei pra sobreviver? se você responder sorrindo, acho que morro de amor só queria te encher, assim, do que for alegria e a vida seria, enfim, preenchida de felicidade
será que é tudo fantasia? porque eu não via a hora de você chegar... queria te contar, antes de morrer de medo mas se não fosse segredo, será que você viria?
quase compreendo que não é mesmo o seu tempo te conheci do avesso, mil dias antes da hora? talvez um milhão de existências... de novo não é agora? mas se um dia, o dia vier, você me promete que vem?
sim, me dói um pouco. as vezes me dói bastante. como quando eu estou lá na platéia e vejo seu lugar ao meu lado mas você ainda não está. ou como quando eu sei que as pessoas todas vão te abraçar muito e te receber com palavras lindas. ou como quando eu preciso da sua opinião para tudo e quero conversar com você sobre o que acabamos de ver. sim, me dói. e me dói também quando eu morro de vontade de entrar no carro e pegar a sua mão enquanto decidimos para onde ir. ai, e como me dói quando eu me pego pensando na gente chegando em casa, entre beijos e sorrisos, e na noite inteira de amores, e na manhã com sol - dentro e fora. me dói também todo dia quando vai entardecendo e eu tento descobrir que filme você gostaria de alugar pra gente assistir no quarto, agarradas em baixo do cobertor. e, no calor, me dói pensar em bicicletas, sucos, parques, sorvetes e piscinas. e me dói ter que esperar as viagens, os lugares nunca visitados, as nossas férias, as nossas fotos. me dói diariamente pensar nos jantares, nos cinemas, nas risadas, nos papos das madrugadas, nas noites todas juntas antes de dormir. me dói, também, eu confesso, quando vejo possibilidades e já não me interesso porque você existe e eu já sei quem você é. e me dói quando me pisam no pé.
tento me distrair na alegria. mas a verdade é que me dói.
...
pra você não quero dor você é a luz do caminho é o ninho onde eu vou morar você é o presente, o colo e o destino você é a sorte de um amor tranqüilo a Menina escreveu em
18.10.08
Deus, me ajuda. o que é que eu faço com isso? você não poderia guardar pra mim e então quando for a hora me devolver? me ajuda, vai. de onde é que vem essa certeza de que acabou a procura? por que é que eu já escrevi isso e deixei esperando? não é um pouco assustador, embora lindo? por que é assim tão claro pra mim? é você que está falando na minha cabeça? sim, eu escuto, mas às vezes me parece perfeito demais pra ser verdade. ou divino demais pra eu merecer. eu mereço toda essa felicidade que seria, ou que virá? tá bom, desculpe, não vou repetir o erro da pouca fé. mas, veja, é tanta beleza que eu queria ser ainda melhor pra receber. é uma beleza que eu não via fazia tanto, mas tanto tempo. gostaria de achar as palavras pra te explicar, ainda que você saiba tudo. sim, eu gostaria de ter as palavras e encher a cidade de poemas, de frases de amor, e das histórias que vieram antes, e que nos prepararam. porque, sim, isso eu sinto também. que a gente sempre se pertenceu, mas estava se preparando. ainda está, de alguma forma. mas, Deus, enquanto isso eu faço o quê? será, por favor, que você poderia guardar pra mim? pode ser que demore meses, talvez anos... pode ser? me ajuda, vai.
ou então me explica logo que eu tô louca e arranca isso de mim.
PS: mas me fala a verdade: se um dia ela quiser, acabou mesmo a procura, não é?! a Menina escreveu em
18.10.08
"Pois em verdade vos digo que, se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a este monte: Passa daqui para acolá, e ele passará. Nada vos será impossível"
a gente vende refrigerante como se fosse a coisa mais importante do mundo. a gente se protege da chuva num dia de verão como se a água queimasse ou fizesse algum mal irreparável à saúde. a gente reclama da demora no restaurante como se dez minutos fossem fazer uma diferença fatal na nossa vida. a gente não dá passagem no trânsito como se um ou dois carros na nossa frente aumentassem o congestionamento monstro. a gente põe o celular e o notebook pra carregar toda noite como se ficar sem bateria fosse a morte. a gente paga o flanelinha pra ele não quebrar nosso carro como se ele tivesse razão. a gente põe cercas e alarmes na casa para o ladrão não entrar como se adiantasse. a gente vota como se fosse mudar alguma coisa. a gente aceita o mais ou menos como se não tivesse outra opção. a gente se esforça demais para que alguém nos ame como se não houvesse no mundo mais ninguém pra nos amar. a gente se contenta com pouco como se não pudesse ter mais. a gente insiste em acreditar em coisas que não existem como se essas coisas passassem a existir de tanto a gente insistir. a gente se surpreende com milagres como se não tivesse fé. a Menina escreveu em
16.10.08
vem
vai, vem com esse punhal e enfia bem no meu peito. bem feito. eu sei que mereci. você nem sabe o que fez. não quer me ferir, eu sei. você nem sabe de nada, minha adorada. fui eu que escolhi. não, não é bem assim. não dependia de mim. você surgiu na minha frente, eu nem podia fugir. eu te vi, não tinha saída. te vi. não era pra você dizer nada, mas você falou tanto, eu tive que ouvir. e como é bonito te ouvir. você é calma e inteira. minha alma te reconheceu no sorriso. você sorriu olhos lindos, e agora não vejo mais nada. além de você. não sei pra onde correr. tento não pensar, mas quando vejo estou lá, na porta da sua casa. nem sei como cheguei. não sei. mas, de repente... eu sempre te amei. enfim eu te achei. ou foi você que me encontrou? depois de eu te escrever muito. aqui estou, então, esperando a chuva passar. ou o sol, se você precisar. talvez você passe e nem me veja. então vai, vem com esse punhal, assim, bem no meio do meu peito. mas faz direito que é pra eu não chorar. a Menina escreveu em
16.10.08
quarta-feira, 15 de outubro de 2008
DIA DO PROFESSOR
mesmo se alguém me ensinasse, eu não ia aprender. nasci assim, amando até morrer.
acho que a maçã estava encantada. mas dei o presente pra pessoa errada. a Menina escreveu em
15.10.08
não tenho vontade de dormir porque você existe
não tenho vontade de dormir porque você existe. e quando durmo te perco. quando durmo esqueço. meu sonho não obedece. adormeço e você desaparece. é assim por enquanto. então me levanto e não durmo. assumo que vivo em conflito. não acho bonito. embora o amor seja lindo. sim, é lindo. é lindo isso que eu sinto. mas preciso ficar quieta, apesar da porta aberta. tento ficar protegida, embora já esteja perdida. tento me enganar. porque esperar é honesto. quase não me manifesto. mas detesto sentir esse medo. de guardar tudo tão em segredo que o futuro nunca amanheça. afinal se eu não durmo... talvez aconteça. se eu não digo, talvez fique antigo sem jamais a gente saber. sonho calada, com bruxas e fadas. sonho e acredito, mas o que é que está escrito? será que não podem mudar? e se alguém estragar o destino? se nunca existir um vinho, uma dança, um lugar? e se você não ligar? e se você não quiser? e se eu já estiver louca? e se essa vida for pouca pra caber você e eu? acho que serei triste. não tenho vontade de dormir porque você existe. meu sonho é acordado: eu só quero dormir ao seu lado. a Menina escreveu em
15.10.08
terça-feira, 14 de outubro de 2008
o problema
como é que eu vou fazer pra você saber que é você? porque eu já sei. soube assim que te vi. sabe quando a gente ri à toa e simplesmente sabe? é você que vai trazer de volta as vontades e os castelos. é você que vai fazer os dias belos e ensolarados. é você que vai dar razão pra chuva e pro novo apartamento. vai ser você a companhia na frente da TV, no restaurante, em cada instante, todas as manhãs. só não seremos irmãs porque eu vou te beijar tanto, mas tanto, que você nunca vai ter tempo de chorar. eu vou te abraçar noites inteiras e te acordar devagar. é pra você que eu vou sorrir no café e é de você que vou sentir saudade. e vou me encher de vaidade com você ao meu lado. vamos andar de mãos dadas e seremos tão felizes! é você que os meus amigos vão amar e sou eu que vou adorar os seus. e minha cara vai doer de sorrir cada vez que eu te olhar pra dizer eu te amo. e ninguém vai mais sofrer. mas como é que eu vou fazer você saber? a Menina escreveu em
14.10.08
(in)sucesso
e aí ela me aparece, no começo da madrugada, e a noite gelada vira rio. ela conta histórias e viagens, é cheia de esperança e ideais. eu, dos meus, nem me lembro mais. mentira, confesso. sou romanticamente o inverso. ela fala de amores curtos e de medo da solidão. eu sorrio na contramão, revivo paixões e planos eternos. falamos dos enganos, dos infernos e das possibilidades. combinamos leões, aquários, capricórnios e metades. politicamente hostis, discutimos o país. ela acredita, eu me penitencio. ainda bem que o desafio é no chão. não tenho altura pra competir. há fé em nós, mas o jogo de iludir é perigoso. pode ser areia movediça, pode dar preguiça, pode enlouquecer a vida. ela diz que não foi boa a partida. eu digo que partir faz parte do campeonato. nosso dom de conversar é nato. nascemos no mesmo dia e isto sim é fantasia. é histérico, eu diria. histeria. a miopia ela operou. eu nem poderia. meu problema é no cérebro, eu sei. só com os olhos veria bem. sério. é difícil compreender. e é um ofício aprender sempre. aprendo já coisas com ela e penso no que posso ensinar. somos amigas de infância, mas só hoje começamos a brincar. cansaremos amanhã? alguém vai se ferir? não sei. vou dormir. a Menina escreveu em
14.10.08
segunda-feira, 13 de outubro de 2008
suddenly I see
yes, I had a dream last night. she was there. it was now and she was here. not past or future. present. my present back. back from there - so far - to nowadays. and I was happy. absolutely happy. she was so real I could believe it yet even when I woke up. she was so real I almost called her to say I know. but I don't even know what I'm writing. I don't even know what number I ought to try. It was just a dream. the unexamined life. bringing back the unpredictable days. but I'm limited. look at me. I'm limited. wishing only wounds the heart. a Menina escreveu em
13.10.08
domingo, 12 de outubro de 2008
DIA DA CRIANÇA
sempre que acaba o fim de semana ela tenta entender a vida. mas sempre as mesmas pessoas dizem as mesmas coisas, e as mesmas esperas são as que vêm na manhã seguinte. então parece que não há nada mais a ser entendido. mas há. se a noite é fria, ela olha pro fogo e pensa nas coisas que acabam. ou queimam. se a noite é quente, ela abre a janela. na tv, desgraça. no telefone, silêncio. no avião, saudade. na estante, livros não lidos continuam sem saber para que servem.
só é diferente quando tem último capítulo de novela. aí ela começa a pensar nisso antes mesmo do fim de semana acabar. no sábado à noite, em casa. e normalmente faz frio.
last night I had a dream a Menina escreveu em
12.10.08
sexta-feira, 10 de outubro de 2008
se faz sentido pra você
se faz sentido pra você, é bom. existe razão além da vaidade. é de verdade. se faz sentido pra você, vale a pena. há cena além da cortina. há esperança além da dúvida. não é só brincadeira de criança. mas se faz sentido pra você, mesmo se eu só brincar vai fazer. e eu brinco. de pegar, de esconder, de caçar o tesouro que nem sei se existe. mas se faz sentido pra você, deve existir. mesmo se eu mentir pra mim, mesmo assim, se faz sentido pra você, pode ser. as minhas bobagens, as minhas viagens, as minhas paixões secretas, as palavras certas. as descobertas. se faz sentido pra você, é bom descobrir. mas qual o sentido de sentir? se você me disser, eu acredito. porque se pra você faz sentido, eu sei que o futuro é bonito. a Menina escreveu em
10.10.08
WHAT DO YOU STAND FOR? When you ask me, who I am What is my vision? And do I have a plan? Where is my strength? Have I nothing to say? I hear the words in my head, but I push them away.
'Cause I stand for the power to change, I live for the perfect day. I love till it hurts like crazy, I hope for a hero to save me. I stand for the strange and lonely, I believe there's a better place. I don't know if the sky is heaven, But I pray anyway.
And I don't know What tomorrow brings The road less traveled Will it set us free? Cause we are taking it slow, These tiny legacies. I don't try and change the world; But what will you make of me?
With the slightest of breezes We fall just like leaves As the rain washes us from the ground We forget who we are We can't see in the dark And we quickly get lost in the crowd
I stand for the power to change, I live for the perfect day. love till it hurts like crazy, I hope for a hero to save me. I stand for the strange and lonely, I believe there's a better place. I don't know if the sky is heaven,
quando você sorri o mundo pára. e o meu coração comemora. nada ao redor existe. é a minha hora. te olho sem pressa e você me acolhe. tudo fica verde, então, porque é você que escolhe. quando você sorri eu juro que é sonho, e páro no meio de tudo. tudo ao seu redor. o melhor é que quando você sorri eu já sei. lembro da alegria que me dá. e que vai sem eu dizer. eu me lembro das coisas que ninguém precisa saber. e posso te ouvir por dias, e noites, e madrugadas, e manhãs. eu te invento. e adoro tudo que você representa. quando você sorri, eu represento. eu te vejo e congelo o tempo. o passado, o presente e o futuro. porque o seu sorriso eu tenho pra sempre. eu te olho e posso morrer ali, bem na frente do seu sorriso. ausente de tudo ao redor. juro, a vida é ali, quando você sorri.
There's Only Us There's Only This Forget, Regret, Or Life Is Yours To Miss. No Other Path No Other Way No Day But Today. There's Only Yes Only Tonight We Must Let Go To Know What is Alright. No Other Course No Other Way No Day But Today. I Cant control My destiny I Trust My Soul My only goal Is just to be. There's only Yes There's only This Forget Regret Or Life Is Yours To Miss. No other Path No other Way No day but today. There's only now There's only here Give in To Love Or live in Fear. No Other Road No Other Way No Day But Today.
ela entra no banheiro e fecha a porta. eu aceito calada, como quem não liga. pra nada. escuto a água estalar o chão. gelada. não a água, eu. e imagino os detalhes sórdidos do banho quente que me exclui. ela se despe de brincos e anéis, e as roupas pelo piso frio fazem do espelho o paraíso. quente. não o paraíso, eu. mas não vejo espelho nenhum. e não preciso. escuto o corpo entre a água e o chão e o meu coração acelerado. escuto, acelerada, minha respiração pesada entre o ar do céu e o do inferno. hiberno no quarto vazio. e, de repente: silêncio.
ela desliga o chuveiro e se prepara para me torturar mais um pouco. quase sem som, e sem esforço. como quem não liga. pra nada. eu ouço e sinto. longos minutos de tampas e cheiros. e imagino o que já era lindo ao entrar, sair por aquela porta e me matar de deslumbre, entre o perfume e a visão. mas ainda não. há mais o tempo das cores, dos cílios e da boca. da boca. como louca acredito que a porta se desfez. massacrada de imaginação, espero. outra vez.
mas, pá! pela porta do quarto uma avalanche de mãe, tia e irmãs me invade o devaneio secreto. me acorda. me arrasa de concreto. derruba a água toda da casa na minha cabeça. gelada. vozes e rostos e o quarto cheio de realidade. e antes que eu me esqueça, qual é mesmo a minha idade? sorrio forçado como quem não liga pra nada. falo, falo, falo. ela sai do banheiro, desarrumada. e a graça se esvai pelo ralo.
eu, nem reparo. nem me abalo. nem ligo. falo. a Menina escreveu em
8.10.08
que bom que eu te descobri. com esses olhos e esses cachos. esses olhos lindos de luz e esses cachos disfarçadamente lisos e louros. que bom. que bom que eu te descobri muito antes de descobrir de fato e, portanto, confirmo meu bom gosto e meu tato. que bom que você agora vive perto. mesmo longe, perto. sob o mesmo teto. mesmo distante, na mesma casa. porque agora a gente tem asa. e desafia a gravidade. a gravidade de tudo. dos perigos, das vozes. e dos amigos ferozes. a gente é feliz. e foi tudo por um triz. ainda é. mas a gente agora será sempre. presente. e, se alguma coisa acontecer, escuta o que eu vou te dizer: eu tenho um livro mágico. eu tenho um livro fantástico com toda a magia do mundo. e nunca mais te deixo. é esse o desfecho: eu nunca mais te deixo. eleka nahmen nahmen. ah tum ah tum eleka nahmen. eleka nahmen nahmen. ah tum ah tum eleka nahmen. ah tum ah tum eleka: eleka! a Menina escreveu em
8.10.08
foi quando ela apareceu. pegou assim a minha mão, como quem pega displiscentemente uma lata de cerveja em cima do balcão. de passagem, nem olhando pra mim, me puxou sem me dar escolha. porque eu estava distraída. eu teria olhado pra ela tarde demais, depois que alguém já tivesse chegado primeiro. mas, sim, eu a escolheria também. e então ela foi andando com uma urgência deliciosa, me levando. me arrastou entre as pessoas e, no meio da multidão, parou, sem nunca me soltar as mãos. olhou bem pra mim, cruzou os dedos nos meus, enroscou a minha cintura com os braços entrelaçados aos meus, e me beijou. muito.
já naquele momento, extasiada, eu pensei em tudo que viria depois.
abri os olhos na manhã seguinte e a vi, dormindo ao meu lado com um rosto que já era pra mim o mais bonito do mundo. como por telepatia, ela acordou no instante em que eu ensaiava um sorriso, e sorrimos juntas. sabendo que aquilo ia durar. muito.
e os dias foram assim, um atrás do outro. com sorrisos pela manhã. e risos noite adentro. (e muitos risos noite adentro.)
e vieram os cinemas, os teatros, os jantares, os amigos, as festas. os vinhos, as comidas, os chocolates. os presentes, as músicas, os cheiros. as descobertas, os riscos, as viagens. as bebedeiras, as bobagens. os oscars, as novelas, as novas temporadas. as estréias. as mudanças, as compras, as idéias, as roupas, os espelhos do banheiro. as alegrias, as tristezas, os abraços sem fim. as saudades, as vaidades, as compreensões, as cumplicidades. as portas, os quartos, as janelas, as bicicletas. as implicâncias, as alianças. as fraquezas, as certezas, a felicidade.
e a cidade inteira ficou feliz. muito. a Menina escreveu em
6.10.08
tante lettere
E quante notti perse a piangere Rileggendo quelle lettere Che non riesci più a buttare via Dal labirinto della nostalgia Grandi amori che finiscono Ma perché restano nel cuore
Strani amori fragili Prigionieri, liberi Strani amori che non sanno vivere E si perdono dentro noi
strani amori, laura pausini a Menina escreveu em
6.10.08
é um corpo cheio de vida que sorri e abraça, mas há uma solidão insuportável voltando a tomar conta de tudo. se vê. é aquele vento, aquele monstro. aquele frio do chão do banheiro escuro. aqueles dias iguais sem sol, sem mar. é um corpo embalado de história e com sonhos que vão ficando pelo caminho. com sonhos realizados. e com as ilusões, perdidas ou novas, cansadas. é um pedaço, um pouco que não basta. a ninguém. nem a si. não se basta. são vontades perdidas no ponto só. sem nó. sem dó. o dia vazio, a noite vazia. o vão. em vão. é um corpo cheio de vida que sorri e abraça, mas carrega um espaço que pesa como a multidão de mãos dadas. os pares, os lares, os filhos. pesa tudo aquilo que falta. é um corpo forte mas que já não aguenta a parada. se vê. em vão. é todo dia um não. não tem. não vem. não pode. não há. é um corpo no fundo do poço. que luta. que sorri, abraça, fala, e cansa. a Menina escreveu em
4.10.08
inse(s)to
quatro e meia me rodeia me invade o sonho me rouba o sono me arranca a roupa me deixa louca
quatro e trinta e três se chega outra vez sussurra um zunzunido ao pé do meu ouvido me lambe a orelha me incendeia
quatro e quarenta e quatro passeia pelo meu quarto me persegue quer que eu me entregue à força bruta me morde, me chupa
quatro e cinqüenta me violenta suga o meu sangue até que eu me zangue ferida, de fato, o mato. a Menina escreveu em
4.10.08
chegou a sua hora. a primavera é fria para que ela chegue com flores e te abrace. às vezes demora. a certeza, a tranqüilidade, o enlace. e o laço é forte. é um recorte na vida. mas não é uma ruína. é só virar a esquina e está lá a multidão. não, eu não disse que é fácil. eu não digo isso. mas também não é um castigo. não. é uma porta, uma janela, um caminho. claro que se trata de carinho. o amor é feito disso. o amor é feito. é a grande construção da existência. é uma exigência da felicidade. e se é aquela a outra metade, é assim. ponto. fim. começo. encontro. tudo do avesso. e a gente, de repente, feliz como nunca imaginou. eu estaria lá até hoje. lá quando ela me sonhou. na primeira primavera. no primeiro abraço. nas primeiras flores. nos dias urgentes. na primeira noite fria com as mãos mais amadas afagando minhas costas incertas, descobertas e quentes. quentes. a Menina escreveu em
1.10.08
segunda-feira, 29 de setembro de 2008
FEITIÇO DO TEMPO
são silhuetas, não há fisionomia. mas a bagunça se nota. se nota.
é a bagunça de sempre, a mesma alegria. é o dia da marmota. se nota. a Menina escreveu em
29.9.08
domingo, 28 de setembro de 2008
CORAÇÃO RASGADO
eu não vou nem tentar descrever o tamanho e a profundidade da violência que tem sido revirar sacos e mais sacos, caixas e mais caixas do meu passado inteiro misturado, amassado, rasgado, pronto pra ir pro lixo. também não vou tentar achar uma palavra para o tipo de tristeza que é reviver pedaços de toda a minha vida, assim, sozinha no meu quarto revirado. menos ainda vou procurar um jeito de registrar a alegria "doída" que tem sido me deparar com toda a felicidade e o amor que eu já senti, já recebi, já comemorei. E que eu escrevi e que me foi escrito um dia com as palavras mais bonitas que alguém pode encontrar para falar a outra pessoa que a ama e que está com saudade. não sei por que o amor acaba, mas agora, no meio dos retalhos dos meus amores, eu vivo de novo a emoção dos dias em que ele começa, e cresce, e parece que não vai acabar nunca.
como as coisas que a gente guarda na gaveta pensando que, assim, não vão levar nunca pra longe de nós.
de mim, levaram. inútil guardar. e eu estou aqui juntando os cacos e os retalhos. vivendo de novo cada amor e cada dor. e me despedindo pra sempre. a Menina escreveu em
28.9.08
sábado, 27 de setembro de 2008
A CARTA FIORENTINA
Oi. Come stai? Queria te avisar que eu mudei de lugar. Embora eu saiba que você me acharia mesmo se eu ainda estivesse lá. Bom, mas, pra facilitar, voltei. Tô aqui pertinho, é uma reta só. Quando você alcançar as curvas, tudo já vai estar tranqüilo aí dentro. Pode ir se chegando. Estou um pouco diferente, mas você vai me reconhecer. Mesmo sem conhecer. Você vai saber. Porque, afinal, somos nós. Se você chegar de dia, toque a campainha e, se eu não estiver, por favor me espere. Prometo aparecer logo, com flores e pronta. Se chegar de noite, seria melhor ver se a lua está no céu e, se estiver, podemos caminhar um pouco de mãos dadas. É tudo muito simples, não pense demais. Só venha. Pro inverso da certeza. a Menina escreveu em
27.9.08
sexta-feira, 26 de setembro de 2008
Scusa, sai, non ti vorrei mai disturbare Ma vuoi dirmi come questo può finire? Non me lo so spiegare Io no me lo so spiegare
eu te recebo assim com a calma de quem já não tem por onde ir. te abro um sorriso lento e te dou meus olhos mareados de alegria. te abraço como uma criança com sono que se encaixa num colo seguro. e me deito em ti a cabeça leve sentindo o encaixe perfeito dos nossos vãos. a Menina escreveu em
12.9.08
Vou tentar manter o coração aberto pra você. Apesar dos outros, Apesar dos medos, Apesar dos monstros nos meus pesadelos.
Vou tentar manter o coração aberto pra você. Apesar dos trincos, Apesar dos trancos, Apesar dos dias repetidos... que são tantos.
Eu vou tentar manter o coração aberto pra você. Apesar da chuva, Apesar da rua, Apesar da hora. Apesar dos pesares, das canções, dos lugares. Apesar dos meus pensamentos, dos perigos, dos próximos momentos.
A volte mi domando se Vivrei lo stesso senza te Se ti saprei dimenticare Ma passa un attimo e tu sei Sei tutto quello che vorrei Incancellabile oramai Sembrava un’altra storia che Il tempo porta via con sé Tu non lasciarmi mai Tu non lasciarmi... E più mi manchi e più tu stai Al centro dei pensieri miei Tu non lasciarmi mai Perché oramai sarai Incancellabile Con la tua voce lÂ’allegria Che dentro me non va più via Come un tatuaggio sulla pelle Ti vedo dentro gli occhi suoi Ti cerco quando non ci sei Sulle mie labbra sento la voglia che ho di te
E più ti guardo e più lo sai Di te io m’innamorerei Tu non lasciarmi mai Tu non lasciarmi... Non farlo mai perché Se guardo il cielo Io sento che sarai Incancellabile oramai Tu non lasciarmi mai Tu non lasciarmi... Incancellabile tu sei
I miei respiri e i giorni miei E si fa grande dentro me Questo bisogno che ho di te E più mi manchi e più tu sei Al centro dei pensieri miei Tu non lasciarmi mai
Da sola senza te Ora e per sempre resterai Dentro i miei occhi... incancellabile.
Incancellabile, Laura Pausini a Menina escreveu em
6.9.08
Scrivimi Quando il vento avrà spogliato gli alberi Gli altri sono andati al cinema Ma tu vuoi restare solo Poca voglia di parlare allora Scrivimi Servirà a sentirti meno fragile Quando nella gente troverai Solamente indifferenza Tu non ti dimenticare mai di me E se non avrai da dire Niente di particolare Non ti devi preoccupare Io saprò capire A me basta di sapere Che mi pensi anche un minuto Perché io so accontentarmi Anche di un semplice saluto Ci vuole poco Per sentirsi più vicini Scrivimi
Scrivimi, Laura Pausini a Menina escreveu em
6.9.08
terça-feira, 2 de setembro de 2008
CONDIZIONALE COMPOSTO
se eu soubesse quem você é, te diria:
vem pra cá morar comigo. vem agora. tem lugar, tem trabalho, tem espaço, tem tempo. tem bicicleta portanto não tem trânsito. e tem ainda tantos lugares para serem descobertos, tantos países, tantas cidades, tanta beleza. e tem tanto, tanto amor.
se eu soubesse quem você é...
continuo aqui, esperando você me achar. no inverso do David. a Menina escreveu em
2.9.08
Each morning I get up I die a little Can barely stand on my feet (Take a look at yourself)Take a look in the mirror and cry Lord what you're doing to me I have to spend all my years in believing you But I just can't get no relief Lord Somebody (somebody) ooh somebody (somebody) Can anybody find me somebody to love?
I work hard (he works hard) everyday of my life I work till I ache my bones At the end (at the end of the day) I take home my hard earned pay all on my own I get down (down) on my knees (knees) And I start to pray (praise the Lord) 'Til the tears run down from my eyes Lord somebody (somebody) ooh somebody (please) Can anybody find me somebody to love? (He wants help)
Every day - I try and I try and I try - But everybody wants to put me down They say I'm goin' crazy They say I got a lot of water in my brain Got no common sense I got nobody left to believe Yeah - yeah yeah yeah Ooh
Somebody (somebody) Can anybody find me somebody to love? (Anybody find me someone to love) Got no feel I got no rhythm I just keep losing my beat (you just keep losing and losing) I'm OK I'm alright (he's alright) I ain't gonna face no defeat I just gotta get out of this prison cell Some day I'm gonna be free Lord
Find me somebody to love find me somebody to love Find me somebody to love find me somebody to love Find me somebody to love find me somebody to love Find me somebody to love find me somebody to love Find me somebody to love find me somebody to love Somebody somebody somebody somebody somebody Find me somebody find me somebody to love Can anybody find me somebody to love Find me somebody to love Find me somebody to love Find me somebody to love Find me find me find me Find me somebody to love